Juiz dos EUA suspende proibição de aborto em Idaho por violar saúde de gestantes
Juiz dos EUA suspende proibição de aborto em Idaho por violar saúde de gestantes

Juiz dos EUA suspende proibição de aborto em Idaho por violar saúde de gestantes

Juiz federal considera inconstitucional lei de Idaho que restringe abortos Um juiz dos Estados Unidos determinou que a lei de Idaho, que proíbe quase todos os abortos, é inconstitucional por não prever exceções para casos em que o procedimento é necessário para preservar a saúde das gestantes, não apenas para salvar suas vidas. A decisão, […]

Resumo

Juiz federal considera inconstitucional lei de Idaho que restringe abortos

Um juiz dos Estados Unidos determinou que a lei de Idaho, que proíbe quase todos os abortos, é inconstitucional por não prever exceções para casos em que o procedimento é necessário para preservar a saúde das gestantes, não apenas para salvar suas vidas. A decisão, proferida pelo juiz distrital Lynn Winmill em Boise, representa um marco ao reconhecer, pela primeira vez desde que a Suprema Corte revogou Roe v. Wade em 2022, um direito constitucional ao aborto em circunstâncias que vão além da emergência de risco de vida.

A decisão de 81 páginas, divulgada na quinta-feira, sustenta que a 14ª Emenda da Constituição dos EUA, que garante o devido processo legal e a igualdade de proteção perante a lei, protege o direito ao aborto para preservar a saúde da mulher. A ação foi movida por um médico de Idaho, contestando as leis estaduais que proibiam o procedimento mesmo em situações de grave risco à saúde física ou mental da gestante.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Reuters.

Contestações judiciais às restrições estaduais pós-Roe v. Wade

Desde que a Suprema Corte dos EUA anulou a decisão histórica de Roe v. Wade em 2022, Idaho e outros 12 estados implementaram proibições quase totais do aborto. Vários outros estados adotaram restrições severas, o que gerou uma onda de contestações legais que ainda estão em andamento. Em 2024, a Suprema Corte já havia determinado que Idaho deveria permitir abortos em emergências médicas, mas sem se aprofundar na questão de saúde mais ampla.

O juiz Winmill suspendeu a aplicação de duas leis específicas de Idaho, que impediam os médicos de oferecerem abortos a pacientes com problemas de saúde graves, incluindo transtornos mentais que pudessem elevar o risco de automutilação e suicídio. O juiz argumentou que a saúde da mulher grávida não é um recurso a ser manipulado pelo legislativo estadual.

Reação e próximos passos

O procurador-geral de Idaho, Raul Labrador, anunciou que o estado irá recorrer da decisão, expressando confiança de que ela será revertida. Labrador acusou o juiz de legislar do banco dos réus e de inventar um novo direito constitucional. Por outro lado, os grupos de defesa do direito ao aborto Legal Voice e Lawyering Project, que representam o médico autor da ação, Stacy Seyb, comemoraram a decisão, afirmando que ela reduz o risco de mortes e lesões graves evitáveis em gestantes no estado.

Apesar da decisão, o Idaho Family Policy Center, um grupo cristão conservador, ressaltou que a proibição do aborto em Idaho permanece amplamente em vigor, incluindo a possibilidade de familiares processarem profissionais de saúde por realizarem procedimentos ilegais. O juiz Winmill, no entanto, se recusou a suspender a proibição para casos de fetos com expectativa de vida limitada, a menos que isso represente uma ameaça grave à saúde da mãe, argumentando que a Constituição confere essa prerrogativa aos legisladores estaduais. Contudo, ele destacou a longa tradição legal de reconhecer a necessidade de abortos para evitar danos graves e duradouros às mulheres, e que a lei de Idaho contraria esse princípio e o direito à autodefesa contra danos.

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