A atuação decisiva do deputado André Janones (Rede-MG) na campanha presidencial de 2026 foi publicamente reconhecida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que o apelidou de “nosso general” durante o discurso de vitória. Janones esteve à frente do “Exército de Lula”, um canal de WhatsApp com mais de 10,9 milhões de participantes, onde orquestrou a mobilização digital e o engajamento dos apoiadores na reta final da disputa. A estratégia envolveu desde a preparação dos membros para o anúncio do resultado até a coordenação de ações em outras redes sociais, consolidando a importância da comunicação digital para a campanha petista.
A estrutura do “Exército de Lula”, criada em abril de 2026, ganhou força após o primeiro turno. Através do WhatsApp, administradores compartilhavam conteúdos como textos, áudios, vídeos e links, acompanhados de instruções para sua disseminação em outras plataformas. As tarefas delegadas aos participantes incluíam a publicação de vídeos no Instagram, o impulsionamento de hashtags no X (antigo Twitter) e o convite a novos membros, além de mensagens prontas para facilitar a divulgação em conversas privadas e grupos. Paralelamente, o perfil de Janones no Instagram registrou um crescimento expressivo, saltando de pouco mais de 2,7 milhões para quase 6,9 milhões de seguidores entre o primeiro e o segundo turno.
A relevância do canal não esteve isenta de controvérsias. A própria campanha do PT chegou a solicitar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o cancelamento do registro do canal, alegando que se tratava de uma iniciativa pessoal de Janones, sem recursos ou apoio formal da campanha. Anteriormente, a campanha de Flávio Bolsonaro havia pedido a suspensão do grupo por suposta divulgação de informações falsas. Embora o TSE tenha inicialmente determinado a suspensão, a decisão foi revertida, e o canal foi reativado após ser formalmente registrado como ferramenta oficial da campanha.
Mobilização e táticas digitais
Janones demonstrou uma forte crença na eficácia das redes sociais, o que se refletiu em suas ações e cobranças. Após a confirmação da vitória, ele questionou nas redes sociais a ausência de pedidos de desculpas por parte daqueles que duvidaram de sua atuação. Lula, por sua vez, prometeu ampliar o espaço da comunicação digital em seu próximo mandato, sinalizando a continuidade da importância dessas ferramentas.
Uma das iniciativas notórias de Janones foi o incentivo ao uso das cores verde e amarelo pelos apoiadores, com a publicação de fotos e o gesto do “L” com as mãos, mobilização que o próprio Lula aderiu. O deputado também orquestrou manifestações virtuais contra Flávio Bolsonaro, como o panelaço e a hashtag #lulagigantenaglobo durante entrevistas do senador. Na reta final da campanha, Janones organizou uma live de 24 horas, que contou com a participação de Lula e outras personalidades, fortalecendo a mensagem de união e resistência.
O deputado também utilizou táticas provocativas, como a encenação de uma retratação pública ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que ironizou após a repercussão negativa entre alguns internautas. Janones justificou a ação como uma estratégia para “fazer o bolsonarismo de idiota mais uma vez”, comparando-a a técnicas de artes marciais.
Debates e polêmicas
A campanha também foi marcada por episódios de tensão envolvendo Janones nos debates presidenciais. Após o primeiro confronto, ele foi internado na UTI com arritmia cardíaca e falta de ar. Para o segundo debate, a campanha de Lula levou ao estúdio Cristiane Gomes, mãe de uma criança morta por bala perdida, cujo caso ganhou contornos políticos devido à atuação de Flávio Bolsonaro como advogado de defesa do policial suspeito do disparo. Em contrapartida, a equipe de Flávio levou ao estúdio Leandra Guedes, ex-mulher de Janones e com quem ele possui medida protetiva.
A trajetória de André Janones na campanha de Lula se intensificou em agosto de 2026, após a saída de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, da equipe de campanha. Janones, deputado federal em seu segundo mandato, já havia retirado sua pré-candidatura à Presidência para apoiar Lula em 2022, consolidando-se como uma figura central na estratégia digital petista.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela própria campanha de Lula e veículos de imprensa como G1 e X.
