Israel permitirá a entrada de uma força de segurança multinacional em Gaza, conforme previsto em um plano de cessar-fogo proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A informação foi confirmada por uma autoridade israelense à agência de notícias Reuters neste domingo (26), um dia antes da visita oficial do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a Washington.
O gabinete de segurança de Netanyahu deu o aval ao marco legal necessário para a atuação da força internacional no território palestino. Netanyahu tem encontro marcado com Trump na Casa Branca nesta terça-feira (28), em meio a negociações sobre o futuro de Gaza após anos de conflito.
A força, denominada Força Internacional de Estabilização, seria composta por cerca de 200 integrantes de países como Uganda e Marrocos. A atuação desses contingentes estaria restrita a áreas fora do controle direto de Israel, e cada envio de tropa necessitaria de aprovação individual israelense. Ainda não há definição sobre quando as tropas serão efetivamente deslocadas.
Contexto de Guerra e Plano de Paz
Grande parte da Faixa de Gaza encontra-se em ruínas após quase dois anos de guerra em larga escala, iniciada pelos ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. Em outubro passado, após a negociação de um acordo de cessar-fogo, Trump apresentou um plano de paz que incluía o aumento da ajuda humanitária, a administração civil por tecnocratas palestinos, o desarmamento do Hamas e a retirada das forças israelenses.
No entanto, o plano enfrenta obstáculos significativos. O grupo de tecnocratas palestinos, conhecido como Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), ainda não obteve permissão de Israel para operar dentro do território. Atualmente, Israel exerce controle efetivo sobre aproximadamente 64% de Gaza, enquanto a vasta maioria da população, estimada em 2 milhões de habitantes, vive em condições precárias sob o domínio do Hamas, muitas vezes em abrigos improvisados ou edifícios danificados.
Desafios e Próximos Passos
O Hamas tem se recusado a depor as armas, e Israel tem sinalizado a intenção de expandir sua área de controle em Gaza para até 70% do enclave, mantendo operações militares quase diárias. O plano de Trump previa a criação de um Conselho de Paz internacional para supervisionar a implementação das medidas, incluindo a força de segurança.
Recentemente, uma autoridade do Conselho de Paz mencionou a intenção de estabelecer uma zona-piloto humanitária para os habitantes de Gaza como estratégia para destravar o plano americano. Nickolay Mladenov, enviado do Conselho de Paz de Trump para Gaza, elogiou a decisão israelense, classificando-a como um passo crucial para a estabilização de Gaza, o apoio à desmilitarização e a viabilização de uma transição para uma administração palestina transitória eficaz sob a égide do NCAG.
As informações foram apuradas a partir de declarações de uma autoridade israelense à Reuters e de informações divulgadas pelo enviado do Conselho de Paz de Trump para Gaza.
