Hospitais Privados Divulgam Indicadores de Qualidade para Pacientes
Hospitais Privados Divulgam Indicadores de Qualidade para Pacientes

Hospitais Privados Divulgam Indicadores de Qualidade para Pacientes

Pacientes agora podem comparar dados de hospitais A partir desta quarta-feira (19), os pacientes ganham uma nova ferramenta para auxiliar na escolha de hospitais. Um grupo de 52 instituições privadas de excelência, associadas à Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados), passa a divulgar publicamente dez indicadores assistenciais cruciais. Entre eles estão taxas de infecção hospitalar […]

Resumo

Pacientes agora podem comparar dados de hospitais

A partir desta quarta-feira (19), os pacientes ganham uma nova ferramenta para auxiliar na escolha de hospitais. Um grupo de 52 instituições privadas de excelência, associadas à Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados), passa a divulgar publicamente dez indicadores assistenciais cruciais. Entre eles estão taxas de infecção hospitalar e mortalidade, dados que até então eram mantidos em sigilo pela maioria das unidades de saúde.

A falta de transparência frequentemente levava a escolhas baseadas em critérios subjetivos, como indicações médicas, a percepção de conforto das instalações ou o marketing institucional. A iniciativa da Anahp visa mudar esse cenário, proporcionando aos pacientes informações objetivas para uma decisão mais consciente sobre onde buscar tratamento.

Hospitais renomados como Einstein, Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz e A.C.Camargo, além de unidades da Rede D’Or e Santas Casas de Porto Alegre e Maceió, estão entre os que aderiram voluntariamente ao programa. Juntas, essas instituições somam quase 15 mil leitos, representando uma parcela significativa da capacidade instalada dos associados à Anahp.

Padronização e Auditoria para Garantir Credibilidade

O Sistema de Indicadores Hospitalares da Anahp existe há duas décadas e abrange mais de 200 procedimentos e atividades. Segundo Antonio Britto, diretor-executivo da entidade, a ideia de tornar parte desses dados públicos sempre esteve presente, mas enfrentava desafios metodológicos que dificultavam a comparação entre as instituições. Um exemplo citado foi a taxa de ocupação de UTI, que variava conforme o horário de medição em cada hospital.

Para superar essas barreiras, a Anahp implementou um processo rigoroso de padronização, com fichas técnicas detalhando os registros esperados de cada hospital. Há dois anos, o sistema passou a contar com auditoria externa independente, atualmente realizada pela QGA, garantindo a confiabilidade dos dados coletados. Vinte hospitais já foram auditados, segundo Britto.

A etapa seguinte foi a seleção dos dez indicadores considerados mais relevantes para o resultado entregue ao paciente. Estes incluem: mortalidade institucional, infecção hospitalar, quedas, lesão por pressão, tempo porta-balão em infarto, letalidade de sepse, reinternação em 30 dias, taxa de cesárea, tempo médio de internação e infecção em sítio cirúrgico. Os dados serão atualizados mensalmente no site da Anahp, com acesso livre a qualquer cidadão.

Transparência sem Ranking, com Foco na Tomada de Decisão

Britto faz questão de ressaltar que a iniciativa não visa criar um ranking ou um sistema de avaliação por estrelas. A comparação direta entre hospitais é desaconselhada, pois cada unidade possui particularidades e especialidades distintas. O objetivo principal é fornecer aos pacientes parâmetros para que possam dialogar com seus médicos e questionar resultados específicos.

Apesar da ressalva, a padronização metodológica e a auditoria externa tornam a comparação numérica tecnicamente viável. Britto assegura que não há risco de seleção de dados, garantindo que os resultados divulgados são reais e que cada instituição publica suas informações sem prévio conhecimento do desempenho das demais, o que reforça a credibilidade do sistema.

Embora os 52 hospitais representem uma fração do universo hospitalar brasileiro, a Anahp aposta no impacto simbólico da adesão de instituições reconhecidas para estimular a participação de outras. O sistema permanece aberto a novas adesões, incluindo Santas Casas e hospitais públicos, com parcerias já em andamento com o Hospital das Clínicas de São Paulo, outros hospitais estaduais paulistas e o Ministério da Saúde.

Comparativo com Iniciativas da ANS e Desafios Futuros

Britto elogia os esforços da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na divulgação de indicadores de qualidade, mas os classifica como limitados. Em fevereiro, a ANS publicou um painel com dados de hospitais que atendem planos de saúde, mas apenas 48 enviaram informações completas, e a iniciativa não conta com auditoria externa, diferentemente do modelo da Anahp.

A experiência da Anahp pode servir de modelo, mas a entidade busca disseminar a cultura de indicadores no Brasil. A meta é ampliar gradualmente o número de indicadores públicos, embora não haja intenção de divulgar todos os mais de 200 coletados, focando na relevância para o paciente. Um desafio ainda em aberto é a publicação de indicadores econômico-financeiros e de custos hospitalares, considerados pelas instituições como “caixas pretas” devido à complexidade e heterogeneidade na organização dos dados.

A falta de indicadores públicos e comparáveis é apontada por especialistas como uma falha estrutural do sistema de saúde brasileiro, tanto no SUS quanto na saúde suplementar. Um estudo de 2016 estimou que mais de 300 mil vidas poderiam ser salvas anualmente no país com a redução de eventos adversos evitáveis em hospitais. A iniciativa da Anahp representa um passo significativo na busca por maior transparência e qualidade no setor.

Os 52 hospitais que aderiram ao programa são: BP Mirante (SP), Casa de Saúde São José (RJ), Check Up Hospital (AM), Complexo de Saúde São João de Deus (MG), Complexo Hospitalar de Niterói (RJ), Einstein Hospital Israelita (SP), Hospital Albert Sabin (SP), Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP), Hospital Alvorada Moema (SP), Hospital Bom Samaritano (PR), Hospital BP (SP), HCor – Hospital do Coração (SP), Hospital Divina (RS), Hospital e Maternidade Nossa Senhora de Fátima – Unimed Curitiba (PR), Hospital e Maternidade São Marcos (PR), Hospital Edmundo Vasconcelos (SP), Hospital Evangélico de Sorocaba (SP), Hospital Itamed (PR), Hospital Márcio Cunha (MG), Hospital Mater Dei Betim-Contagem (MG), Hospital Mater Dei Santa Clara (MG), Hospital Mater Dei Santa Genoveva (MG), Hospital Mater Dei Santo Agostinho (MG), Hospital Nipo-Brasileiro (SP), Hospital Nove de Julho (SP), Hospital Primavera – Unidade Jardins (SE), Hospital PUC-Campinas (SP), Hospital Santa Catarina Paulista (SP), Hospital Santa Helena (GO), Hospital Santa Izabel (BA), Hospital Santa Marta (DF), Hospital Santa Rita (ES), Hospital São Camilo Pompeia (SP), Hospital São Lucas Copacabana (RJ), Hospital São Vicente Curitiba (PR), Hospital São Vicente de Paulo (RS), Hospital Sepaco (SP), Hospital Sírio-Libanês (SP), Hospital Tacchini Bento Gonçalves (RS), Hospital Unimed Blumenau (SC), Hospital Vita Batel (PR), Real Hospital Português de Beneficência em Pernambuco (PE), Rede D’Or – Hospital CopaStar (RJ), Rede D’Or – Hospital Memorial São José (PE), Rede D’Or – Hospital Nossa Senhora das Neves (PB), Rede D’Or – Hospital São Luiz – Itaim (SP), Rede D’Or – Hospital Vila Nova Star (SP), Santa Casa de Misericórdia de Maceió (AL), Santa Casa de Misericórdia de Passos (MG), Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre (RS), Vitória Apart Hospital (ES).

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