A febre maculosa já causou 17 mortes em São Paulo nos primeiros sete meses de 2026, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde. Os óbitos foram registrados em pelo menos cinco regiões do estado, com Piracicaba, Sorocaba e Campinas concentrando o maior número de fatalidades, cada uma com três casos. Santo André e São José dos Campos registraram um óbito cada, enquanto a origem da infecção em outros casos ainda está sob investigação.
A vítima mais recente noticiada foi um engenheiro civil de 37 anos, de Americana, que faleceu em 30 de junho. A confirmação da causa da morte veio após a emissão de laudo do Instituto Adolfo Lutz. Apesar de o número de mortes ser inferior ao registrado no mesmo período de 2025 (quando o estado contabilizou 44 óbitos em um total de 61 casos), a alta taxa de letalidade da doença, com 17 mortes em 18 casos confirmados oficialmente neste ano, acende o alerta das autoridades de saúde.
Entre 2020 e 2025, São Paulo acumulou 489 casos e 244 óbitos pela doença. No entanto, o número de casos em 2026 pode ser maior, considerando notificações suspeitas ainda em apuração. Americana, por exemplo, registrou 22 notificações, com 16 descartados, 5 em investigação e 1 óbito confirmado. A prefeitura local orienta a população a evitar áreas de risco, como margens de rios e represas, e a adotar medidas de proteção, como uso de roupas claras e inspeção corporal frequente, ressaltando a existência do Programa de Vigilância e Controle do Escorpião e Carrapato (PVCE) desde 2006, que monitora áreas de risco e alerta sobre a presença do carrapato-estrela.
Cenário preocupante em Araras e outras regiões
A cidade de Araras, pertencente à região de Campinas, contabiliza duas mortes de crianças, de 8 e 9 anos, e possui 25 casos suspeitos em investigação, o maior número na região. Diante dessa situação, a Prefeitura de Araras intensificou as ações de prevenção, incluindo treinamento de equipes de saúde para o reconhecimento precoce da doença, reforço na sinalização de áreas de risco, campanhas educativas e o monitoramento de locais com grande circulação de capivaras, hospedeiras do carrapato transmissor.
A Secretaria de Saúde estadual informou que desenvolve ações integradas para reduzir a incidência e a letalidade da febre maculosa. As estratégias incluem a notificação compulsória e investigação de todos os casos suspeitos e óbitos, monitoramento contínuo da situação epidemiológica, identificação de locais prováveis de infecção, fortalecimento do diagnóstico laboratorial e treinamento constante de profissionais para o reconhecimento e tratamento imediatos. A integração entre as vigilâncias epidemiológica, ambiental e laboratorial é fundamental para identificar áreas de risco e implementar medidas de prevenção e comunicação.
Entendendo a Febre Maculosa
A febre maculosa é causada por uma bactéria do gênero Rickettsia, transmitida pela picada do carrapato-estrela, também conhecido como carrapato-de-cavalo ou rodoleiro. Esses aracnídeos são frequentemente encontrados em áreas de vegetação com presença de animais como capivaras, equinos, cães e gatos. O diagnóstico da doença pode ser um desafio, pois seus sintomas iniciais, como febre alta, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e mal-estar, são semelhantes aos de outras viroses, como a dengue. As manchas avermelhadas, um dos sinais característicos, podem surgir em fases mais avançadas da infecção.
O tratamento, realizado com antibióticos, é mais eficaz quando iniciado na primeira semana de sintomas. A demora no diagnóstico e tratamento aumenta o risco de complicações e morte. Por isso, é crucial que pessoas com febre, após frequentarem áreas de mata, vegetação alta ou com presença de animais hospedeiros do carrapato, informem imediatamente essa exposição ao procurar atendimento médico. Medidas simples de prevenção, como o uso de roupas claras e compridas, a inspeção do corpo após passeios em áreas de risco e a remoção rápida de carrapatos, são essenciais para reduzir o risco de infecção, já que não existe vacina contra a doença.