O primeiro eclipse solar total na Europa continental em quase três décadas está previsto para esta quarta-feira (12), oferecendo um espetáculo celestial que, embora breve, promete ser inesquecível para os observadores na trajetória de totalidade. A Lua se posicionará entre a Terra e o Sol, projetando uma sombra sobre o planeta e ocultando temporariamente a estrela-mãe.
O evento principal, quando a Lua cobre completamente o Sol, terá início no extremo norte da Rússia por volta das 14h (horário de Brasília). A faixa de escuridão, conhecida como umbra, seguirá um percurso que inclui a Groenlândia, Islândia, o Oceano Atlântico, o norte da Espanha e uma pequena porção de Portugal, antes de se dissipar no Mar Mediterrâneo. Em outras regiões da Europa, no noroeste da África e em partes da América do Norte, o fenômeno será visto como um eclipse solar parcial, com a Lua cobrindo apenas uma fração do disco solar.
É crucial ressaltar que a observação direta do Sol sem proteção adequada é perigosa. Apenas durante os breves momentos de totalidade, quando o disco solar está completamente obscurecido pela Lua, é seguro olhar sem filtros especiais. Em todos os outros momentos, o uso de óculos de proteção certificados é indispensável para evitar danos permanentes à visão.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo The New York Times.
O Que Define um Eclipse Solar Total?
Um eclipse solar total ocorre quando a Lua, em sua órbita, se alinha perfeitamente entre a Terra e o Sol, bloqueando a luz solar e projetando sua sombra sobre a superfície terrestre. O que se observa no céu é um disco negro cercado pela tênue e brilhante coroa solar, a atmosfera externa do Sol. Essa coincidência cósmica só é possível devido a uma peculiaridade astronômica: a Lua é aproximadamente 400 vezes menor que o Sol, mas também está cerca de 400 vezes mais próxima da Terra, o que faz com que ambos pareçam ter o mesmo tamanho no céu.
Para que o fenômeno ocorra, o alinhamento entre Sol, Lua e Terra precisa ser exato. A sombra projetada pela Lua possui uma região central mais escura, a umbra, onde a totalidade é observada. Aqueles que se encontram na penumbra, a área mais clara e externa da sombra, presenciam apenas um eclipse parcial.
A Experiência da Totalidade
À medida que o eclipse avança na faixa de totalidade, o ambiente ao redor se transforma. A luz solar diminui gradualmente, como um crepúsculo súbito, as sombras tornam-se mais nítidas e a temperatura ambiente cai perceptivelmente. O céu escurece a ponto de estrelas brilhantes e planetas se tornarem visíveis. Animais podem apresentar reações incomuns: abelhas deixam de zumbir, pássaros silenciam e grilos começam a cantar.
A duração da totalidade é um dos aspectos mais marcantes e, neste evento, surpreendentemente curta. Segundo a NASA, na maioria dos locais, a fase de escuridão completa durará menos de dois minutos, variando conforme a posição do observador dentro da faixa de totalidade. A trajetória completa do eclipse, incluindo as fases parciais, se estenderá por cerca de duas horas.
Onde e Quando Observar?
A faixa de totalidade deste eclipse, com menos de 320 quilômetros de largura, atravessará regiões remotas e de difícil acesso, como a Groenlândia. Na Islândia, a capital Reykjavik estará próxima à borda da trajetória, com a totalidade ocorrendo por volta das 13h48 (de Brasília) e durando apenas um minuto. Na Espanha, cidades como Valência e Ibiza oferecerão a visão da totalidade por volta das 15h32, também com duração aproximada de um minuto. Locais no interior espanhol, como Leão e Burgos, também são pontos de interesse.
Para aqueles que não estão na rota da totalidade, o eclipse parcial ainda oferecerá um espetáculo. Nos Estados Unidos, será mais visível no Alasca e no Nordeste. No Canadá, a cobertura parcial variará significativamente, aumentando em direção ao norte. Na Europa continental, cidades como Lisboa, Barcelona, Paris, Milão, Londres e Dublin presenciarão mais de 90% do Sol encoberto. No noroeste da África, Argel e Casablanca também terão o Sol quase totalmente eclipsado.
Para quem não puder se deslocar, agências como a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA), além do Observatório Nacional, oferecerão transmissões ao vivo do evento em seus canais no YouTube.
Tipos de Eclipses e o Futuro Próximo
Além dos eclipses solares totais, existem os eclipses solares parciais, que ocorrem quando o alinhamento não é perfeito, e os eclipses solares anulares, conhecidos como “anéis de fogo”, quando a Lua está mais distante da Terra e parece menor, não cobrindo completamente o Sol. A Terra também pode se posicionar entre o Sol e a Lua, resultando em eclipses lunares, visíveis de qualquer lugar no lado noturno do planeta.
Os próximos anos prometem ser férteis em eventos de eclipses solares. Um eclipse total cobrirá o norte da África em agosto de 2027, seguido por outro na Austrália em meados de 2028. Além disso, dois eclipses anulares em 2027 e 2028 passarão pela América do Sul, com períodos de anularidade que podem ultrapassar os dez minutos em algumas regiões.
