Diabetes Tipo 2: Jovens, Especialmente Mulheres, São o Novo Alvo da Doença
Diabetes Tipo 2: Jovens, Especialmente Mulheres, São o Novo Alvo da Doença

Diabetes Tipo 2: Jovens, Especialmente Mulheres, São o Novo Alvo da Doença

A distinção clássica entre diabetes tipo 1 e tipo 2 está se desfazendo, com um número crescente de jovens sendo diagnosticados com a forma associada ao estilo de vida. Pesquisas recentes, como a realizada no Reino Unido, apontam para um aumento preocupante entre pessoas com menos de 40 anos, com um crescimento mais acentuado em […]

Resumo

A distinção clássica entre diabetes tipo 1 e tipo 2 está se desfazendo, com um número crescente de jovens sendo diagnosticados com a forma associada ao estilo de vida. Pesquisas recentes, como a realizada no Reino Unido, apontam para um aumento preocupante entre pessoas com menos de 40 anos, com um crescimento mais acentuado em mulheres jovens de diversas etnias.

Anteriormente, o diabetes tipo 1 era amplamente associado a causas genéticas e manifestação precoce, enquanto o tipo 2 era visto como uma condição de adultos mais velhos, ligada a hábitos de vida pouco saudáveis. No entanto, essa divisão por idade já não se sustenta. Uma análise de dados da Auditoria Nacional de Diabetes da Inglaterra, entre 2011 e 2024, mostrou que, enquanto a prevalência do diabetes tipo 2 diminui em adultos com mais de 60 anos, ela cresce entre os com menos de 40. Os resultados, publicados na revista The Lancet Regional Health Europe, indicam que o aumento mais expressivo ocorreu em mulheres brancas, asiáticas e negras na faixa dos 20 anos, e em mulheres brancas na casa dos 30 anos. Shivani Misra, autora principal do estudo, destaca que o desafio de saúde pública está se expandindo para toda uma geração, indo além de grupos étnicos minoritários que já eram desproporcionalmente afetados.

A situação na Alemanha espelha essa tendência global, com a Sociedade Alemã de Diabetes (DDG) relatando um aumento na incidência entre crianças e adolescentes. Um relatório da DDG indicou um crescimento anual médio de 5,8% nos casos de diabetes tipo 2 entre jovens de 11 a 17 anos, de 2014 a 2023. Especialistas como o endocrinologista Baptist Gallwitz atribuem essa escalada principalmente ao estilo de vida moderno, caracterizado pela pouca atividade física e consumo excessivo de alimentos ricos em açúcar e calorias, fatores que levam à obesidade e, consequentemente, aumentam o risco da doença. O diabetes tipo 2 ocorre quando o corpo não produz insulina suficiente ou não a utiliza eficazmente, elevando a glicose no sangue, enquanto o tipo 1 é uma doença autoimune que destrói as células produtoras de insulina.

### O Impacto da Doença em Jovens e a Busca por Soluções

O surgimento precoce do diabetes tipo 2 é particularmente preocupante devido ao seu potencial de ser mais agressivo, aumentando o risco de complicações graves e reduzindo a expectativa de vida. Helen Kirrane, da Diabetes UK, enfatiza que, embora qualquer diagnóstico de diabetes seja sério, a forma que se manifesta em indivíduos mais jovens pode ter consequências devastadoras. Diante desse cenário, especialistas defendem a implementação de intervenções precoces e medidas preventivas.

Na Alemanha, a DDG apoia medidas como o imposto sobre refrigerantes açucarados, mas considera a iniciativa insuficiente. A entidade propõe um sistema tributário escalonado, com isenção para frutas e vegetais e taxas mais altas para produtos com alto teor de gordura saturada e açúcar. Além disso, a sociedade defende a oferta de refeições mais saudáveis em instituições de ensino e a inclusão de uma hora diária de atividade física obrigatória nos currículos escolares.

### Barreiras e Diagnóstico Subestimado em Mulheres

Para além da promoção da atividade física, a médica Alexandra Kautzky-Willer, especialista em medicina de gênero, aponta a necessidade de criar um ambiente mais seguro para que as mulheres possam se exercitar. O medo de assédio, humilhação relacionada ao peso ou até mesmo agressões físicas pode desencorajar a prática regular de atividades físicas ao ar livre ou em academias. Kautzky-Willer também levanta a questão do subdiagnóstico da doença em mulheres. Em um artigo publicado na Deutsches Ärzteblatt, ela e uma colega argumentaram que as mulheres frequentemente recebem o diagnóstico mais tarde, já apresentando maiores taxas de obesidade, hipertensão e ganho de peso, fatores que elevam o risco de eventos cardiovasculares.

O método de diagnóstico mais comum, a medição da glicemia em jejum, pode ser um dos fatores contribuintes. Esse exame, que avalia o nível de açúcar após oito horas sem comer, oferece uma imagem momentânea e pode não detectar picos de glicose pós-refeição, que tendem a ser mais baixos em mulheres. Testes como o de tolerância à glicose e a medição de HbA1c (hemoglobina glicada), que reflete a média da glicose nos últimos meses, são considerados mais precisos, mas exigem mais recursos e custos, e nem sempre são cobertos rotineiramente pelos seguros de saúde na Europa, embora sejam amplamente utilizados no Brasil. Identificar pessoas em estado de pré-diabetes e intervir precocemente com mudanças no estilo de vida é crucial para frear o avanço da doença e reduzir o risco de complicações futuras. As informações foram reunidas a partir de estudos publicados na The Lancet Regional Health Europe e de declarações de especialistas à DW.

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