Defesa de Daniel Vorcaro aponta falhas em provas digitais contra Alexandre de Moraes
Defesa de Daniel Vorcaro aponta falhas em provas digitais contra Alexandre de Moraes

Defesa de Daniel Vorcaro aponta falhas em provas digitais contra Alexandre de Moraes

Defesa alega que celular de ex-banqueiro foi adulterado após apreensão A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um laudo pericial que levanta sérias dúvidas sobre a integridade das provas digitais apreendidas em seu iPhone. O documento, entregue nesta quinta-feira (29), sugere que arquivos foram criados e […]

Resumo

Defesa alega que celular de ex-banqueiro foi adulterado após apreensão

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um laudo pericial que levanta sérias dúvidas sobre a integridade das provas digitais apreendidas em seu iPhone. O documento, entregue nesta quinta-feira (29), sugere que arquivos foram criados e alterados enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal, o que pode comprometer o valor jurídico de comunicações que teriam sido enviadas ao ministro Alexandre de Moraes.

O perito contratado pela defesa afirma que, embora o iPhone 17 Pro tenha sido apreendido em novembro de 2025, centenas de novos arquivos surgiram no dispositivo a partir do dia seguinte. O laudo detalha a criação de 436 novos itens, incluindo 94 imagens em formato específico da Apple, além da modificação de metadados de outros 657 arquivos. O especialista ressalta que, mesmo sem acesso aos dados brutos para confirmar uma intervenção humana direta, as alterações não podem ser consideradas automáticas ou ignoradas sem uma justificativa técnica documentada pela Polícia Federal.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Gazeta do Povo.

Como as novas evidências podem impactar o caso de Moraes

Recentemente, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório policial que apontava o envio de 52 mensagens por Vorcaro a Alexandre de Moraes, utilizando métodos para ocultar rastros, como o uso de imagens de visualização única no WhatsApp. O ministro Moraes negou veementemente o recebimento dessas comunicações e criticou a condução da investigação. Caso o laudo da defesa consiga comprovar a manipulação do celular após a apreensão, as mensagens em questão perderiam seu valor probatório. Isso retiraria do processo a principal evidência que ligaria o ex-banqueiro ao ministro, potencialmente esvaziando as suspeitas levantadas.

O princípio do “fruto da árvore envenenada” e os pedidos da defesa

A defesa de Vorcaro invoca o princípio do “fruto da árvore envenenada”, um conceito jurídico que impede a utilização de provas obtidas ilegalmente. Segundo esse princípio, se a prova inicial (a raiz da árvore) for contaminada por uma ilegalidade ou manipulação, todas as evidências dela derivadas (os frutos) também se tornam inválidas e não podem ser usadas em juízo. Os advogados Ségio Leonardo e Engels Muniz utilizam esse argumento para tentar anular a Operação Compliance Zero, citando sua aplicação em casos notórios, como a anulação de condenações da Operação Lava Jato.

Diante disso, a defesa solicitou ao ministro Edson Fachin, presidente do STF, acesso imediato aos dados brutos extraídos do iPhone. Eles argumentam que os relatórios sintetizados pela PF podem ser editados sem deixar rastros de integridade. Além de buscarem a paridade de armas processual, os advogados pedem a soltura de Daniel Vorcaro, sustentando que a manutenção da prisão preventiva do empresário é injusta enquanto pairam dúvidas tão graves sobre a principal evidência que fundamenta as acusações contra ele.

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