Decisão de Zanin sobre horário de votação abre brecha para anular eleição, alertam juristas
Decisão de Zanin sobre horário de votação abre brecha para anular eleição, alertam juristas

Decisão de Zanin sobre horário de votação abre brecha para anular eleição, alertam juristas

Decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender o horário de votação em segundo turno, neste domingo (25), para além das 17h, acendeu um alerta no meio jurídico. Especialistas apontam que a medida, tomada a pedido do PT e em desacordo com o rito usual do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pode […]

Resumo

Decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender o horário de votação em segundo turno, neste domingo (25), para além das 17h, acendeu um alerta no meio jurídico. Especialistas apontam que a medida, tomada a pedido do PT e em desacordo com o rito usual do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pode criar brechas legais para que candidatos derrotados busquem a anulação do pleito.

A base para a contestação reside no artigo 220 do Código Eleitoral, que estabelece a nulidade da votação quando realizada em hora ou local diferentes do designado ou encerrada antes do horário previsto. A norma determina o encerramento às 17h, permitindo apenas que eleitores já em fila continuem votando. A decisão monocrática de Zanin, que prorrogou o pleito nacionalmente, contrariou essa regra.

O pedido do PT, inicialmente justificado por problemas de transporte público em três municípios da Bahia, foi ampliado para todo o país. A extensão do horário ocorreu próximo ao fechamento das urnas, o que impediu que parte dos eleitores se beneficiasse da prorrogação, uma vez que suas seções já haviam sido encerradas. Pela lei, quando a urna eletrônica fecha, ela não pode ser reativada, sendo necessário o uso de cédulas de papel, o que atrasa a apuração.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados por veículos de imprensa.

Risco de judicialização e desigualdade

Advogados e procuradores consultados apontam o risco de judicialização do resultado eleitoral. Marcos Souto Maior, do ex-juiz Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), alerta que votos coletados após as 17h, fora das hipóteses legais, podem ser contestados e contaminar urnas inteiras, gerando um processo judicial prolongado. Ele ressalta que uma decisão que visava proteger o direito ao voto pode, paradoxalmente, criar instabilidade e desigualdade entre os candidatos.

César Dario Mariano, procurador de Justiça e professor de direito penal, também vê risco de judicialização devido à falta de isonomia entre os eleitores. No entanto, ele pondera que a anulação de um pleito dependeria da demonstração de um prejuízo concreto por parte de um candidato perdedor e da análise da repercussão das irregularidades. Ainda assim, considera que a criação de tal controvérsia no momento do encerramento da votação representa um risco institucional.

Decisão monocrática e incompetência alegada

Marcelo Peregrino, advogado e ex-desembargador do TRE de Santa Catarina, critica a decisão de Zanin, classificando-a como uma intervenção monocrática de um tribunal supostamente incompetente para tal matéria, que deveria ser tratada pelo TSE. Ele aponta a dificuldade prática de reativar urnas já encerradas e a irresponsabilidade da medida.

O pedido do PT foi protocolado no STF às 15h46, inicialmente focado em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, e ampliado nacionalmente às 16h29. A ação foi distribuída a Zanin às 16h33, e a decisão foi divulgada às 17h03, pouco após o horário limite para o encerramento da votação.

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