Declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra do Paraguai provocaram reações contundentes de políticos no país vizinho. Em visita à empresa Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), Lula mencionou o conflito do século XIX ao discorrer sobre a importância do investimento em defesa pelo Brasil, afirmando que “o Paraguai decidiu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não ia dar em nada, durou cinco anos”. As falas, ocorridas na sexta-feira (24), foram rapidamente criticadas por figuras políticas paraguaias, que as consideraram desrespeitosas e historicamente imprecisas.
O presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, do Partido Colorado, emitiu um comunicado classificando as declarações de Lula como “muita leviandade sobre a maior tragédia da nossa história e o maior genocídio do nosso continente”. Latorre ainda ironizou a postura do presidente brasileiro, comparando-a a uma fala anterior sobre a guerra na Ucrânia: “O senhor disse uma vez que acabaria com a guerra na Ucrânia ‘com uma cervejinha’. Hoje, o senhor volta a falar levianamente sobre conflitos armados nas Américas; se lhe faltarem jabuticabas, podemos lhe enviar algumas”.
Críticas incisivas e pedidos de retratação
As críticas não se limitaram a Latorre. José Chilavert, ex-goleiro da seleção paraguaia e ex-candidato à presidência, usou a rede social X (antigo Twitter) para fazer declarações ainda mais réplicas. Chilavert qualificou Lula como “louco bêbado e senil” e o acusou de “mentir” sobre a história, recomendando aos brasileiros que o “expulsem do governo” e votem em Flavio Bolsonaro. O ex-atleta, conhecido por suas opiniões polêmicas, sugeriu que “a região será grata” por tal ação.
O senador oposicionista Edu Nakayama, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), também se manifestou no X, argumentando que Lula “esqueceu” que a intervenção brasileira no Uruguai, que precedeu a ação paraguaia no Mato Grosso, foi o estopim para a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870). Nakayama ressaltou que este foi “o conflito mais sangrento da história da América do Sul”. Paralelamente, a senadora esquerdista Esperanza Martínez criticou as declarações como “resquícios do imperialismo” que buscam “ocultar uma guerra criminosa e uma política histórica de domínio e abuso por parte da elite brasileira” contra o Paraguai.
Contexto histórico da Guerra do Paraguai
A Guerra do Paraguai, também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança, foi um conflito devastador que ocorreu entre 1864 e 1870, envolvendo Paraguai contra uma aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. O estopim da guerra foi a intervenção brasileira no Uruguai, que resultou na deposição do governo do Partido Blanco, aliado do então ditador paraguaio Francisco Solano López. A decisão de López de invadir territórios brasileiros, como Corumbá, e também territórios argentinos e uruguaios, desencadeou um conflito que, segundo estimativas, dizimou grande parte da população masculina paraguaia e causou enormes perdas materiais e territoriais para o país.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela imprensa brasileira e por declarações de políticos paraguaios em redes sociais.
