Cientistas descobrem que bolhas ajudam cachalotes a descansar sem flutuar
Cientistas descobrem que bolhas ajudam cachalotes a descansar sem flutuar

Cientistas descobrem que bolhas ajudam cachalotes a descansar sem flutuar

Desvendando o mistério do repouso dos cachalotes Manter-se submerso enquanto descansa, especialmente com uma cabeça tão grande e repleta de substâncias que naturalmente aumentam a flutuabilidade, sempre foi um enigma para os cientistas em relação aos cachalotes. Agora, uma pesquisa publicada no Journal of Experimental Biology revela que esses majestosos mamíferos marinhos utilizam uma estratégia […]

Resumo

Desvendando o mistério do repouso dos cachalotes

Manter-se submerso enquanto descansa, especialmente com uma cabeça tão grande e repleta de substâncias que naturalmente aumentam a flutuabilidade, sempre foi um enigma para os cientistas em relação aos cachalotes. Agora, uma pesquisa publicada no Journal of Experimental Biology revela que esses majestosos mamíferos marinhos utilizam uma estratégia engenhosa: a liberação deliberada de bolhas de ar para controlar sua tendência a boiar.

Os cachalotes são únicos entre as baleias por repousarem na vertical, com a cabeça voltada para cima, logo abaixo da superfície do oceano. Acredita-se que essa posição ofereça proteção contra o movimento das ondas sem a necessidade de um gasto energético maior para mergulhar mais fundo. No entanto, o mecanismo exato para permanecerem submersos durante esse estado de repouso, que os pesquisadores preferem chamar assim em vez de “sono” por falta de confirmação por eletroencefalograma, permanecia desconhecido até agora.

As descobertas foram possíveis graças à fixação de pequenas etiquetas com ventosas em cachalotes na costa da Noruega. Esses dispositivos registraram sons e dados de movimento tridimensional, permitindo aos cientistas identificar a liberação de bolhas e modelar seu impacto na flutuabilidade dos animais. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Reuters e estudos científicos.

Um mecanismo de flutuabilidade inteligente

A flutuabilidade dos cachalotes é naturalmente elevada devido à grande quantidade de óleo de espermacete em suas cabeças. Conforme os animais em repouso começam a subir lentamente em direção à superfície, os gases em seus pulmões se expandem devido à diminuição da pressão da água. A liberação estratégica de bolhas atua como um contrapeso, neutralizando essa expansão e permitindo que as baleias permaneçam quase sem peso e submersas.

Patrick Miller, pesquisador de mamíferos marinhos da Universidade de St Andrews e autor sênior do estudo, explicou que as liberações de bolhas parecem ser um comportamento intencional. “Só ouvimos bolhas sendo liberadas nesse contexto comportamental específico de repouso”, afirmou Miller, indicando que a liberação involuntária de gases não é algo que os cachalotes parecem fazer.

Benefícios adicionais para a saúde das baleias

Além de regular a flutuabilidade, os cientistas suspeitam que este comportamento possa ter um papel crucial na troca gasosa metabólica dos cachalotes. Esses animais passam cerca de 80% de seu tempo em mergulhos extremamente profundos em busca de presas como lulas-gigantes. Durante esses mergulhos, seus corpos acumulam gases, como nitrogênio e dióxido de carbono, sob alta pressão.

Ao repousarem em águas rasas, as condições se tornam ideais para que esses gases indesejáveis sejam transferidos dos tecidos para os pulmões e eliminados. A liberação de bolhas durante o repouso facilitaria esse processo, ajudando as baleias a se livrarem dos subprodutos gasosos resultantes de sua intensa atividade de caça em profundidade. Essa hipótese, segundo Miller, poderá ser testada em pesquisas futuras.

Próximos passos na pesquisa

Ainda que o estudo tenha avançado significativamente na compreensão do repouso dos cachalotes, algumas questões permanecem em aberto. Os pesquisadores buscam determinar se a liberação de bolhas é um ato consciente e quais sinais levam as baleias a realizá-la. Além disso, ainda é um mistério se os cachalotes dormem com metade do cérebro de cada vez, como os golfinhos, ou com ambos os hemisférios cerebrais adormecidos.

Estudos futuros poderão empregar sensores de ondas cerebrais ou observação ocular para desvendar esses aspectos do sono dos cachalotes. Por enquanto, as descobertas atuais sugerem que, assim como os humanos, esses gigantes dos oceanos possuem mecanismos sofisticados para garantir um descanso reparador.

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