A economia na ponta do lápis impulsiona a decisão de compra de carros elétricos no Brasil, com potencial de redução de até 76% nos custos por quilômetro em comparação com veículos a gasolina. A volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis e o avanço da tecnologia de eletrificação têm levado consumidores a priorizar o custo operacional na hora de escolher um novo veículo.
Uma análise comparativa, baseada em dados nacionais de preços de combustíveis, tarifas de energia elétrica e índices de eficiência energética veicular, revela a expressiva diferença no custo por quilômetro rodado. Enquanto um carro a combustão, com consumo médio de 10 km/l e preço da gasolina a R$ 6,62/litro, gasta cerca de R$ 0,66 por quilômetro, um veículo elétrico com consumo médio de 15 kWh/100 km e tarifa residencial de R$ 1,03/kWh, tem um custo aproximado de R$ 0,16 por quilômetro. Isso representa uma economia de 76% para o modelo elétrico em uma distância de 1.000 quilômetros.
Essa vantagem se mantém mesmo em cenários com variações na tarifa de energia, como a bandeira amarela, que adiciona custos à conta de luz. A eficiência energética dos motores elétricos é um fator chave para essa economia, pois eles convertem uma parcela significativamente maior da energia armazenada em movimento, em contraste com os motores a combustão, que dissipam grande parte da energia em forma de calor.
A Agência Internacional de Energia (IEA) corrobora essa conclusão em seu relatório Global EV Outlook 2025, indicando que, mesmo com a queda nos preços internacionais do petróleo, os veículos elétricos continuam apresentando menor custo de utilização na maioria dos mercados globais, especialmente quando carregados em casa. Para que essa vantagem econômica seja eliminada, seriam necessários preços excepcionalmente baixos do petróleo.
No Brasil, o presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Ricardo Bastos, destaca que a economia com o abastecimento é um dos principais impulsionadores da eletromobilidade. No entanto, ele ressalta a importância de considerar o Custo Total de Propriedade (TCO), que inclui não apenas o gasto com energia, mas também o preço de aquisição, manutenção, seguro, depreciação e valor de revenda do veículo.
O crescente interesse do consumidor brasileiro por carros elétricos é evidenciado por dados do Google Trends. As buscas por termos como “quanto custa carregar carro elétrico” e “carro elétrico vale a pena” têm ganhado força, indicando uma mudança no foco das dúvidas, que evoluíram de questões básicas sobre o funcionamento da tecnologia para preocupações práticas sobre viabilidade econômica e custo de uso. Essa tendência acompanha o aumento da oferta de modelos elétricos no mercado nacional.
As informações foram reunidas a partir de simulações e dados divulgados pela Gazeta do Povo, com base em informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro.
