Brasil se aproxima da liderança mundial em exportações agrícolas, superando os EUA
Brasil se aproxima da liderança mundial em exportações agrícolas, superando os EUA

Brasil se aproxima da liderança mundial em exportações agrícolas, superando os EUA

O agronegócio brasileiro está em rota de ascensão e pode ultrapassar os Estados Unidos como o maior exportador agrícola do mundo em 2026. Em 2025, a diferença entre os dois países foi de apenas US$ 2 bilhões, com o Brasil registrando US$ 169,2 bilhões em exportações e os EUA, US$ 171 bilhões, segundo dados do […]

Resumo

O agronegócio brasileiro está em rota de ascensão e pode ultrapassar os Estados Unidos como o maior exportador agrícola do mundo em 2026. Em 2025, a diferença entre os dois países foi de apenas US$ 2 bilhões, com o Brasil registrando US$ 169,2 bilhões em exportações e os EUA, US$ 171 bilhões, segundo dados do USDA e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Essa proximidade representa uma reviravolta significativa, considerando que em 2021 a diferença era de US$ 56 bilhões.

A tendência de consolidação do Brasil na liderança é reforçada por projeções que indicam que o país poderá atingir US$ 180 bilhões em receitas externas do setor em 2026, enquanto os Estados Unidos, sob a projeção do governo Trump, alcançariam US$ 177,5 bilhões. O jornal britânico Financial Times atribui parte dessa aproximação às tensões comerciais e tarifas impostas pelos EUA, que impactaram a competitividade americana em mercados cruciais como o chinês. No entanto, a transformação estrutural da agricultura brasileira, que engloba expansão de área, aumento de produtividade, adoção da segunda safra e diversificação de produtos e destinos, é o pilar central dessa ascensão.

Os dados mais recentes do Mapa ilustram a dimensão dessa transformação: em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro cresceram 3%, impulsionadas por um aumento de 3,6% no volume embarcado, mesmo com uma queda de 0,6% nos preços médios. O setor representou 48,5% de todas as vendas externas do Brasil no ano passado. Em contrapartida, o desempenho americano perdeu força, com exportações de US$ 171 bilhões em 2025, abaixo do pico de US$ 174,8 bilhões de 2022. A retração americana é atribuída à queda nos preços internacionais, valorização do dólar e mudanças na demanda por commodities como milho e soja. As vendas dos EUA para a China, por exemplo, caíram 66% em 2025.

Soja, milho e carnes impulsionam o crescimento brasileiro

O complexo de grãos, com destaque para a soja, tem sido o principal motor da ascensão brasileira. Em 2025, o Brasil exportou um volume recorde de 108,2 milhões de toneladas de soja, gerando US$ 43,5 bilhões, um aumento de 9,5% em relação ao ano anterior. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta que a produção de soja continue avançando, com estimativas de 180,6 milhões de toneladas na safra 2025/26 e exportações de 116,3 milhões de toneladas. Esse crescimento é significativamente impulsionado pelo modelo de safras múltiplas, onde a soja é cultivada na área principal e seguida por milho ou algodão na mesma terra.

No caso do milho, a produção brasileira para a safra 2025/26 foi estimada pela Conab em 141,7 milhões de toneladas, consolidando o país como um fornecedor relevante em mercados que antes dependiam majoritariamente dos Estados Unidos. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras de milho já haviam crescido 20,6% em faturamento, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Na pecuária, o avanço é ainda mais expressivo. O Brasil encerrou 2025 com um recorde de US$ 17,9 bilhões em exportações de carne bovina, um aumento de 39,9% em valor e 20,4% em volume. O país também se tornou o terceiro maior exportador mundial de carne suína pela primeira vez. A produção recorde de carnes bovina, suína e de frango permitiu ampliar as vendas externas sem comprometer o abastecimento interno.

Outras commodities também contribuem para a força exportadora brasileira. O café registrou US$ 16 bilhões em exportações em 2025, com alta de 30,3% em valor, e a Conab estima uma safra recorde de 66,2 milhões de sacas para 2026. O açúcar, onde o Brasil já é o maior exportador global, também compõe o quadro de sucesso do setor.

Brasil se beneficia da reconfiguração do comércio com a China e amplia mercados

A relação comercial com a China tem sido um fator crucial na ascensão brasileira. A guerra comercial entre Estados Unidos e China alterou a dinâmica do comércio de soja, com as exportações agrícolas americanas para o país asiático despencando em 2025. Nesse cenário, a China aumentou suas compras de produtos agropecuários brasileiros, totalizando US$ 55,3 bilhões em 2025, o que representou 32,7% das exportações do agronegócio nacional, um crescimento de 11% em relação a 2024. Essa mudança reconfigura a dependência, forçando produtores americanos a buscar novos compradores, enquanto o Brasil consolida sua posição.

Além da China, o Brasil tem expandido sua base de compradores, abrindo 664 novos mercados para seus produtos agropecuários nos últimos anos. Essa diversificação é uma estratégia de resiliência, que permitiu ao setor manter um desempenho recorde de exportações em 2025, mesmo diante de desafios como a tarifa americana e a suspensão temporária de compras por dezenas de países devido a casos de influenza aviária.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e reportagem do Financial Times.

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