Avanço científico e tecnológico no Brasil é impulsionado pela sinergia entre setor público e privado, formação qualificada e liberdade para inovar.
A educação, a ciência e a inovação, temas cruciais para o desenvolvimento de qualquer nação, têm recebido pouca atenção no debate eleitoral brasileiro. No entanto, projetos de sucesso em diversas áreas demonstram que a união entre o poder público e a iniciativa privada, aliada a um forte investimento na formação de profissionais e na pesquisa científica, é o caminho para o avanço e a prosperidade do país. Iniciativas como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Embraer, o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), o Porto Digital do Recife e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) são exemplos notáveis dessa combinação.
Esses projetos compartilham um modelo que combina rigor científico com liberdade para inovar e empreender, além de uma abertura para o intercâmbio internacional. O economista Marcos Lisboa destaca que essa sinergia entre Estado e mercado oferece um caminho alternativo aos debates polarizados, promovendo um ambiente fértil para o desenvolvimento tecnológico e científico.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Inpe, Embraer, Impa, Porto Digital e Embrapa.
Rigor científico e formação de ponta no Inpe e Impa
O Inpe, fundado em 1961, consolidou-se como um centro de excelência em pesquisas espaciais e atmosféricas, observação da Terra e estudos climáticos. Sua atuação, marcada pela transparência na divulgação de dados e metodologias, atraiu pesquisadores renomados internacionalmente e formou gerações de cientistas. O programa Prodes, que monitora o desmatamento na Amazônia desde 1988, é um exemplo de sua contribuição para políticas públicas. O instituto também oferece cursos de pós-graduação, tendo concedido mais de 4.000 títulos de mestrado e doutorado.
O Impa, criado em 1952, destaca-se na formação de matemáticos, com centenas de mestres e doutores formados. Sua iniciativa mais conhecida é a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, a maior competição escolar do mundo, que inspira milhões de estudantes. A entidade se beneficia de uma menor burocracia, o que favorece a pesquisa e a inovação, como no caso de Artur Avila, primeiro latino-americano a receber a Medalha Fields.
Embraer: Inovação e expansão global
A Embraer, fundada em 1969, é um caso emblemático de sucesso da engenharia brasileira. Impulsionada pela privatização em 1994 e pela forte base tecnológica formada por engenheiros do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), a empresa se tornou a principal exportadora de bens de alto valor agregado do Brasil. Com mais de 9.000 aeronaves entregues e líder mundial em jatos comerciais de até 150 assentos, a Embraer investe continuamente em inovação, como nos novos jatos Praetor e no caça supersônico Gripen E. O desenvolvimento do eVTOL (carro voador) pela subsidiária Eve demonstra a visão futurista da companhia.
Porto Digital: Renovação urbana e polo de tecnologia
No Recife, o Porto Digital, criado em 2000, transformou o centro histórico da cidade em um vibrante polo de inovação. A iniciativa, que surgiu para combater a degradação urbana e a falta de oportunidades para profissionais de tecnologia, reuniu governo, academia e empresários. Atualmente, o Porto Digital abriga mais de 500 empresas, gera milhares de empregos e impulsiona o setor de tecnologia no Brasil. Programas como o Embarque Digital, voltado para estudantes de escolas públicas, reforçam o compromisso com a formação de talentos.
Embrapa: Revolução na agropecuária brasileira
A Embrapa, criada em 1973, foi fundamental para a autossuficiência e competitividade do agronegócio brasileiro. Com um investimento maciço em pesquisa e capacitação de profissionais no exterior, a empresa adaptou culturas como a soja ao clima tropical e desenvolveu tecnologias para o solo do Cerrado. Essas inovações resultaram em um aumento expressivo na produtividade agrícola, tornando o Brasil o maior exportador mundial de diversos produtos. A Embrapa conta com mais de 2.000 pesquisadores e 43 centros espalhados pelo país, consolidando seu papel como motor de desenvolvimento rural.