Brasil faz último apelo aos EUA contra tarifas enquanto Lula provoca Trump
Uma comitiva de representantes dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e das Relações Exteriores (MRE), além da assessoria especial da Presidência da República, se reuniu nesta terça-feira (14) com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington. O objetivo principal foi tentar reverter a iminente imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros, uma decisão que o USTR deve anunciar em breve. Esta foi a quinta reunião bilateral sobre o tema, desde que os presidentes Lula e Donald Trump acordaram a criação de um grupo de trabalho para o diálogo comercial em maio passado.
Em nota oficial, o MDIC reiterou o que considera ser o caráter injusto da aplicação das recomendações já divulgadas pelo USTR, que incluem uma tarifa de 25% para produtos brasileiros no âmbito da Seção 301, e outra de 12,5% sobre outras 59 economias, relacionada ao combate ao trabalho forçado. O governo brasileiro argumenta que as razões apontadas na Seção 301 não justificam a imposição das tarifas.
Investigação americana mira Pix e outras políticas brasileiras
A investigação americana, iniciada em julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump, classificou diversas políticas e práticas brasileiras como “irracionais” ou “discriminatórias”, alegando que impõem barreiras ao comércio dos EUA. Entre os alvos da apuração está o Pix, o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. O USTR questiona a atuação do Banco Central como regulador e operador do sistema, o que, segundo a avaliação americana, poderia favorecer uma plataforma pública em detrimento de empresas privadas, incluindo companhias dos EUA.
O relatório também aponta críticas às tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a produtos importados do México e da Índia, além de falhas percebidas no combate à corrupção, na proteção à propriedade intelectual e na abertura do mercado brasileiro ao etanol americano. Outro ponto levantado é a suposta ineficácia do Brasil em coibir o desmatamento ilegal, prática que, na visão do governo dos EUA, prejudica a competitividade de empresas americanas. Decisões judiciais brasileiras envolvendo plataformas digitais, como ordens sigilosas para remoção de conteúdo e restrições a empresas de tecnologia, também foram questionadas pelo USTR, que as considera potencialmente prejudiciais às companhias americanas e ao comércio digital.
Lula mantém discurso de confronto com Trump
Enquanto as equipes diplomáticas buscam uma solução negociada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem mantido uma postura de críticas e provocações direcionadas ao presidente Donald Trump. Nesta terça-feira (14), durante um encontro com líderes do setor automotivo, Lula ironizou a qualidade da “dentadura” de Trump em comparação com as próteses dentárias oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. No dia anterior, Lula acusou Trump de “pirataria” pela sua decisão de assumir o controle do Estreito de Hormuz e cobrar taxas sobre cargas transportadas na região.
Nas últimas semanas, Lula já havia classificado a postura de Trump nas relações internacionais como a de um “imperador” e a proposta de sobretaxar produtos brasileiros como uma “coisa desaforada”. O presidente brasileiro também argumentou que, diante do superávit comercial dos EUA na relação bilateral, seria o Brasil quem deveria considerar aumentar taxas. Além disso, Lula acusou a família Bolsonaro de “entreguismo” por manter interlocução com autoridades americanas durante a investigação comercial, afirmando que o Brasil “não está à venda”.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e pela imprensa.
