Governo brasileiro reage com dureza a sobretaxa americana e aponta dedo para o clã Bolsonaro
Em resposta à imposição de uma sobretaxa de 25% sobre importações brasileiras pelos Estados Unidos, anunciada nesta quarta-feira (15), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a medida como um “marco lastimável” nas relações bilaterais e prometeu retaliação. O Palácio do Planalto informou que iniciará os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade, permitindo ao Brasil aplicar medidas comerciais equivalentes contra países que impõem restrições unilaterais.
A gestão petista foi além, acusando a família do ex-presidente Jair Bolsonaro de colaborar ativamente com as investigações americanas com o objetivo de prejudicar o Brasil em prol de interesses eleitorais. Em nota oficial, o governo se referiu a eles como “falsos patriotas”, declarando ser “triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro”. A declaração ressalta que “não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições”, e que a “proteção da soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências”.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo governo federal e reportagens da imprensa nacional.
Controvérsia sobre o momento da tarifa
A polêmica ganhou contornos eleitorais quando o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, defendeu o adiamento da tarifa em audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) no início do mês. Segundo ele, a sanção beneficiaria Lula nas eleições. “Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter, premiando aqueles que são responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que suportaram suas consequências, seria o pior momento possível para agir”, argumentou o senador.
Em contrapartida, o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou no início da madrugada desta quinta-feira (16) que o presidente Lula teria colocado seu “ego à frente de fechar um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro”. Já Jamieson Greer, chefe do USTR, relatou à emissora CNN a falta de empenho do governo brasileiro nas negociações para aprimorar a relação comercial.
Estratégias de defesa e contestação
O governo brasileiro reiterou que, embora “não reconheça a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio”, nunca deixou a mesa de negociação para defender os interesses nacionais. Os Estados Unidos estabeleceram o dia 22 de julho como data de entrada em vigor das tarifas, alegando que as consultas com o Brasil não solucionaram satisfatoriamente as preocupações americanas sobre acesso ao mercado de etanol e proteção de propriedade intelectual. Apenas produtos em trânsito que chegarem aos portos dos EUA até 29 de julho estarão isentos.
Além da reciprocidade, o Brasil pretende questionar a legalidade das tarifas na Organização Mundial do Comércio (OMC). O Plano Brasil Soberano será intensificado para proteger os setores produtivos afetados, com o objetivo de preservar a capacidade industrial e a renda da população. O governo também reforçou o compromisso em buscar novas parcerias comerciais, citando acordos recentes do Mercosul com a União Europeia, Singapura e a Associação Europeia de Livre Comércio.
