Estratégia eleitoral mira fortalecer a direita em região de domínio petista
Em um movimento estratégico para ampliar sua base eleitoral, os pré-candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Romeu Zema (Novo-MG) anunciaram, no limite do prazo das convenções partidárias, a escolha de seus vices. Ambos optaram por nomes com origem no Nordeste: o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) e o senador Eduardo Girão (Novo-CE). A região é historicamente um forte reduto eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o cientista político Cláudio André de Souza, da Unilab-Bahia, a escolha visa fortalecer a representação política da direita no Nordeste e posicionar o combate à criminalidade como bandeira principal de campanha, em contraste com a atuação de Lula. A região, que apresenta os piores indicadores de violência do país, torna a segurança pública um tema de peso na disputa eleitoral.
Alfredo Gaspar, ex-promotor de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, traz em seu histórico a atuação no combate ao crime organizado. Eduardo Girão, senador pelo Ceará, também tem em sua plataforma a preocupação com o avanço do crime organizado, que, segundo ele, causa uma “tragédia” no estado e tem potencial para se alastrar nacionalmente.
“A estratégia eleitoral tem a finalidade de melhorar a campanha e a comunicação na região. Em ambos os casos, as escolhas são residuais, muito mais simbólicas para representar o Nordeste e dialogar com o eleitorado”, afirma Souza. Girão, por sua vez, ressalta a sintonia com valores nordestinos como a defesa da vida, da família e da liberdade, além de defender um Estado enxuto e o respeito ao dinheiro do contribuinte.
Reviravolta nas convenções e a aposta no Nordeste
A definição dos vices ocorreu em meio a expectativas e surpresas. O Novo confirmou o senador cearense Eduardo Girão como pré-candidato a vice na chapa de Romeu Zema. Já o PL optou pelo deputado alagoano Alfredo Gaspar, que havia sido lançado como pré-candidato ao Senado em sua convenção estadual no dia anterior. A escolha de Gaspar surpreendeu parte da militância de direita, que esperava a indicação de uma mulher ou do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio.
A cientista política Luciana Santana, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), avalia que a escolha de Alfredo Gaspar reforça as pautas conservadoras do bolsonarismo e que ele deve ter um papel de ataque a Lula, similar à sua atuação na CPMI do INSS. No entanto, Santana não vê Gaspar como um nome com forte representatividade junto a eleitorados independentes, como mulheres e evangélicos, nos quais Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades.
Lula mantém liderança no Nordeste, mas disputa se acirra
Apesar da aposta de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema no Nordeste, pesquisas recentes indicam a força eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva na região. Segundo levantamento da Genial/Quaest, Lula detém 59% das intenções de voto no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro soma 20%. Nacionalmente, Lula aparece com 39% e Flávio com 30%.
O cenário é diferente em outras regiões, como o Sul, onde Flávio Bolsonaro lidera com 43% contra 25% de Lula. No Sudeste, ambos estão tecnicamente empatados. Romeu Zema tem seu melhor desempenho nessa região, com 5% das intenções de voto, mas sua projeção nacional ainda é limitada, não ultrapassando 1% nas demais regiões pesquisadas.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 31 de julho e 3 de agosto de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no TSE é BR-06591/2026.
