Arranha-céu na Etiópia? Engenharia moderna sugere que palácio antigo desafiou limites da construção
Arranha-céu na Etiópia? Engenharia moderna sugere que palácio antigo desafiou limites da construção

Arranha-céu na Etiópia? Engenharia moderna sugere que palácio antigo desafiou limites da construção

Avanços na engenharia revelam o potencial vertical de uma antiga construção etíope. Enquanto arranha-céus dominam as metrópoles modernas, a capacidade de construir em altura sempre fascinou a humanidade. Agora, uma nova análise de engenharia lança luz sobre o palácio de Grat Be’al Gibri, na antiga cidade de Yeha, Etiópia, sugerindo que esta estrutura de quase […]

Resumo

Avanços na engenharia revelam o potencial vertical de uma antiga construção etíope.

Enquanto arranha-céus dominam as metrópoles modernas, a capacidade de construir em altura sempre fascinou a humanidade. Agora, uma nova análise de engenharia lança luz sobre o palácio de Grat Be’al Gibri, na antiga cidade de Yeha, Etiópia, sugerindo que esta estrutura de quase 3.000 anos possuía um potencial construtivo surpreendente, capaz de suportar cargas equivalentes a muitos andares, muito antes do uso de aço e concreto armado.

O edifício, datado de aproximadamente 800 a.C., foi um dos maiores palácios conhecidos de sua época no Leste da África e no sul da Arábia, ocupando uma área de 60×60 metros. Destruído por um incêndio na Antiguidade, apenas vestígios de seu térreo e da plataforma de fundação sobreviveram. No entanto, esses remanescentes, incluindo uma escadaria monumental e pilares de arenito, já indicavam sua antiga grandiosidade e a presença de múltiplos níveis, como sugerido por uma escada interna.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Universidade Técnica de Brandemburgo em Cottbus-Senftenberg (BTU), Alemanha, e pelo portal Arkeonews.

O Enigma da Altura e as Técnicas Construtivas

A determinação da altura real do palácio tem sido um desafio para os pesquisadores desde o início das escavações em 1906. Embora reconstruções virtuais tenham sugerido até oito andares, referências históricas de cronistas árabes mencionavam palácios com até 20 andares, levantando a questão sobre a viabilidade técnica dessas alturas na Antiguidade. Para investigar essa possibilidade, pesquisadores da BTU e do Instituto Arqueológico Alemão criaram modelos tridimensionais de partes representativas das paredes, analisando sua capacidade de carga.

A chave para a robustez da estrutura residia na combinação de pedras irregulares com argamassa de barro e vigas de madeira dispostas horizontalmente em camadas alternadas. Essa técnica, que utilizava madeiras como a oliveira-africana e a cordia africana, formava um sistema interno de reforço. As vigas, com seções retangulares de 21 a 28 centímetros e resistência a pragas como cupins, eram posicionadas horizontalmente, uma característica distintiva em relação a outros sistemas construtivos semelhantes encontrados na região.

Potencial Vertical Surpreendente

Os resultados das simulações, que levaram em conta as incertezas sobre as propriedades exatas dos materiais antigos, foram surpreendentes. Os modelos indicam que as paredes do palácio poderiam suportar cargas equivalentes às de pelo menos 19 andares, e mesmo em cenários mais conservadores, a capacidade teórica aponta para 16 níveis. Essa descoberta sugere um conhecimento avançado em engenharia e distribuição de cargas por parte dos construtores da época.

Apesar do impressionante potencial de carga, os pesquisadores ressaltam que as simulações não determinam a altura efetiva que o palácio alcançou. Especialistas externos, consultados pela revista Newsweek, também pedem cautela quanto ao uso do termo “arranha-céu”, enfatizando que a capacidade de carga de uma parede não implica necessariamente que o edifício tenha atingido tal altura.

Legado de Conhecimento e Sofisticação Arquitetônica

A análise, publicada na revista Heritage, demonstra que o sistema construtivo de Yeha possuía um potencial vertical muito maior do que os vestígios arqueológicos sugerem. Isso não apenas desafia percepções sobre as capacidades tecnológicas da Antiguidade, mas também evidencia a sofisticação da tradição arquitetônica de Yeha e o conhecimento dos construtores africanos sobre materiais e técnicas de engenharia. A descoberta, mesmo sem confirmar a existência de um “arranha-céu” literal, reforça a importância histórica e a complexidade das civilizações antigas da região.

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