Anvisa reduz fiscalização de farmácias de manipulação de emagrecedores após promessas de rigor
Anvisa reduz fiscalização de farmácias de manipulação de emagrecedores após promessas de rigor

Anvisa reduz fiscalização de farmácias de manipulação de emagrecedores após promessas de rigor

Anvisa desacelera fiscalização de farmácias que manipulam canetas emagrecedoras A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reduziu o ritmo de fiscalização em farmácias de manipulação estéreis, categoria que engloba estabelecimentos que produzem as chamadas canetas emagrecedoras. A medida ocorre em um momento delicado, após a agência ter prometido intensificar o controle sobre o setor, que […]

Resumo

Anvisa desacelera fiscalização de farmácias que manipulam canetas emagrecedoras

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reduziu o ritmo de fiscalização em farmácias de manipulação estéreis, categoria que engloba estabelecimentos que produzem as chamadas canetas emagrecedoras. A medida ocorre em um momento delicado, após a agência ter prometido intensificar o controle sobre o setor, que tem visto um crescimento expressivo na demanda por esses produtos. Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) revelam que, após uma operação conjunta com a Polícia Federal em abril, que incluiu visitas a 13 empresas, a última ação de fiscalização sanitária nesse tipo de estabelecimento ocorreu em 22 de maio. Uma ordem interna datada de 13 de junho determinou a interrupção temporária das vistorias, com o objetivo de elaborar um procedimento padronizado para essas ações.

Em resposta à imprensa, a Anvisa afirmou que o cronograma de inspeções não foi alterado e que nenhuma ação foi suspensa, com exceção de uma única distribuidora. A agência ressalta que a fiscalização rotineira é responsabilidade das vigilâncias estaduais e municipais, enquanto sua atuação se concentra em aspectos que demandam maior atenção. A redução na frequência das inspeções ocorre em um contexto de divergências internas na agência sobre a implementação de novas regras para o setor, que incluem a exigência de certificações mais robustas para matérias-primas importadas e a análise de insumos pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS), laboratório ligado à Fiocruz. A votação dessas propostas foi adiada.

A discussão sobre o endurecimento do controle sobre as farmácias de manipulação de emagrecedores foi anunciada em abril, motivada pelo boom no consumo dessas canetas e pela preocupação com a falta de aderência a padrões sanitários por parte de alguns estabelecimentos. Na ocasião, a Anvisa divulgou que o número de fiscalizações estava em alta, superando o total do ano anterior para esse segmento. A agência também tem colaborado com investigações da Polícia Federal sobre a fabricação em larga escala e sem controle de qualidade adequado desses produtos. Medidas como a avaliação forense de produtos manipulados, acordos com conselhos profissionais e o lançamento de um plano de farmacovigilância foram citadas pela agência como ações concretas implementadas desde abril.

Mercado paralelo e preocupações sanitárias

A manipulação de canetas emagrecedoras, embora não seja ilegal, deve ser restrita a prescrições individualizadas, e a Anvisa entende que as farmácias não podem formar estoques desses produtos. Em abril, a agência alertou que a importação de cerca de 100 kg de tirzepatida (princípio ativo de medicamentos como o Mounjaro) em seis meses, volume suficiente para a produção de aproximadamente 20 milhões de canetas de 5mg, é incompatível com o mercado legal e indica falhas no controle regulatório, ampliando o risco sanitário. A colaboração entre Anvisa e PF apontou para elementos de criminalidade organizada, com o uso de estruturas aparentemente legais para encobrir atividades industriais clandestinas.

O controle sobre a matéria-prima importada pelas farmácias é reconhecido como frágil pela Anvisa. O mercado de farmácias de manipulação funciona como uma alternativa aos medicamentos registrados, como Ozempic e Mounjaro. As canetas manipuladas são frequentemente vendidas por clínicas médicas em pacotes de emagrecimento. Associações médicas e o Sindusfarma (representante das grandes farmacêuticas) têm defendido a proibição total da venda desses emagrecedores por farmácias de manipulação, citando falhas de segurança e distorção da prática médica. Por outro lado, representantes do setor farmacêutico argumentam que a restrição fortaleceria o mercado de produtos falsificados e irregulares, e que a manipulação atende a uma demanda assistencial não suprida.

A Anvisa prepara uma reformulação no marco regulatório do setor, que tem apresentado um crescimento acelerado. O número de autorizações para farmácias estéreis, que lidam com produtos de fabricação complexa, como colírios e injetáveis, tem aumentado significativamente nos últimos anos. A agência, no entanto, não dispõe de dados consolidados sobre quantas dessas farmácias produzem especificamente canetas emagrecedoras.

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