Anvisa aprova novo medicamento para distrofia muscular de Duchenne
Anvisa aprova novo medicamento para distrofia muscular de Duchenne

Anvisa aprova novo medicamento para distrofia muscular de Duchenne

Anvisa aprova novo medicamento para distrofia muscular de Duchenne A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu luz verde para a comercialização do Duvyzat, um novo medicamento destinado ao tratamento da distrofia muscular de Duchenne. A aprovação, anunciada nesta quinta-feira (13), representa um avanço terapêutico para pacientes com esta condição genética rara, que afeta principalmente […]

Resumo

Anvisa aprova novo medicamento para distrofia muscular de Duchenne

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu luz verde para a comercialização do Duvyzat, um novo medicamento destinado ao tratamento da distrofia muscular de Duchenne. A aprovação, anunciada nesta quinta-feira (13), representa um avanço terapêutico para pacientes com esta condição genética rara, que afeta principalmente meninos e causa a perda progressiva da força muscular.

O Duvyzat, cujo princípio ativo é o givinostate, é indicado para o uso em crianças com seis anos de idade ou mais. A doença, caracterizada pela ausência ou deficiência da proteína distrofina, enfraquece as fibras musculares e, com o tempo, compromete também os músculos respiratórios e cardíacos. Atualmente, a distrofia muscular de Duchenne não possui cura, e os tratamentos disponíveis visam retardar sua progressão e preservar a capacidade funcional dos pacientes.

Até o momento, os corticosteroides eram a principal opção medicamentosa no Brasil para o manejo da doença, auxiliando na manutenção da força muscular e prolongando a capacidade de locomoção. O novo medicamento, desenvolvido pela farmacêutica Multicare Pharma, deverá ser utilizado em conjunto com os corticosteroides, segundo as diretrizes da Anvisa.

Como o Duvyzat age e seus efeitos

O givinostate, componente ativo do Duvyzat, atua como um inibidor da enzima histona desacetilase. Ao bloquear essa enzima, o medicamento interfere na atividade de genes relacionados à função e deterioração muscular. Embora o Duvyzat possa desacelerar a progressão da distrofia muscular de Duchenne, é importante ressaltar que ele não é curativo.

A administração do Duvyzat é feita por via oral, em forma líquida, duas vezes ao dia. A dosagem é calculada com base no peso corporal e na avaliação médica individual de cada paciente. Entre os efeitos colaterais observados estão alterações gastrointestinais, como diarreia, dor abdominal, náuseas e vômitos. Outras reações adversas podem incluir redução das plaquetas, aumento dos triglicerídeos e febre. Por conta desses riscos, o tratamento requer acompanhamento médico rigoroso e exames periódicos.

Alterações persistentes nos níveis de triglicerídeos podem levar à suspensão do medicamento, enquanto a diminuição das plaquetas aumenta o risco de sangramentos. O uso do Duvyzat não é recomendado durante a gestação e a amamentação. Pacientes com histórico de problemas cardíacos também necessitam de avaliação cuidadosa, pois o medicamento pode afetar o ritmo do coração.

Benefícios comprovados e próximos passos

Estudos clínicos apresentados à Anvisa demonstraram que o Duvyzat contribui para retardar a progressão da doença, com um benefício principal observado na desaceleração da perda da capacidade motora. Pacientes que utilizaram o medicamento apresentaram uma perda de função significativamente menor em comparação com aqueles que receberam apenas o tratamento padrão com corticosteroides, conforme relatado pela agência reguladora.

Por ser uma terapia relativamente nova, ainda não há dados completos sobre os efeitos a longo prazo do givinostate. A Anvisa condicionou o registro do Duvyzat à assinatura de um Termo de Compromisso com a Multicare Pharma, permitindo que o medicamento seja disponibilizado aos pacientes enquanto novos dados de acompanhamento são coletados para ampliar o conhecimento sobre seus benefícios e riscos em longo prazo. Essa medida é comum em casos de doenças graves com poucas alternativas terapêuticas.

O Duvyzat já obteve aprovação em países como Estados Unidos, Reino Unido e em nações da União Europeia. No Brasil, após a definição do preço máximo pela Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), a fabricante definirá a data de comercialização, devendo o produto estar disponível no mercado em até 365 dias após a publicação do registro.

A aprovação pela Anvisa não garante a oferta automática do Duvyzat pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, o medicamento precisará ser avaliado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Vale lembrar que, em 2024, a Anvisa também aprovou o Elevidys, uma terapia gênica para a mesma condição, mas seu uso e comercialização foram suspensos no Brasil após relatos internacionais de casos fatais.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Anvisa.

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