Acesso precário a condições básicas de higiene em unidades de saúde é realidade global
Um levantamento inédito divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) revela um cenário preocupante sobre as condições sanitárias em estabelecimentos de saúde ao redor do mundo. Apenas 40% dessas unidades cumprem os requisitos mínimos de saneamento, que incluem banheiros acessíveis, em funcionamento e com infraestrutura adequada para higiene menstrual. Alarmantemente, 11% de todos os locais de atendimento médico globalmente não dispõem de nenhum tipo de serviço de saneamento.
O relatório, fruto de uma colaboração entre a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), analisou dados de 70 países e apresentou as primeiras estimativas globais sobre o acesso a serviços básicos de saneamento em unidades de saúde. A pesquisa, referente ao ano de 2025, evidencia lacunas significativas que podem comprometer a saúde pública e a segurança de pacientes e profissionais.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela ONU, OMS e Unicef.
Disparidades regionais e o impacto da falta de infraestrutura
As disparidades no acesso a saneamento básico em unidades de saúde são acentuadas em diferentes regiões do globo. Enquanto na Ásia Central e Meridional 55% das instalações oferecem os serviços essenciais, esse índice cai drasticamente para apenas 23% na África Subsaariana. Essa falta de infraestrutura básica afeta diretamente 936 milhões de pessoas, que dependem desses estabelecimentos para cuidados médicos.
Os padrões básicos de saneamento definidos pela OMS e Unicef englobam a disponibilidade de pelo menos um banheiro exclusivo para funcionários, banheiros separados por gênero com recursos para higiene menstrual e instalações acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida. A ausência desses elementos básicos pode levar à propagação de infecções e agravar a vulnerabilidade de populações já fragilizadas.
Outras carências em saúde: água, higiene e gestão de resíduos
Além do saneamento, o relatório também abordou outros aspectos cruciais para o funcionamento de unidades de saúde: acesso à água potável, higiene, limpeza ambiental e gestão de resíduos. Em 2025, estima-se que 85% das instalações possuíam serviços básicos de água, 72% contavam com higiene básica e 71% tinham sistemas adequados para gestão de resíduos de saúde.
No entanto, a limpeza ambiental, um fator crítico para a prevenção e controle de infecções, apresenta números ainda mais preocupantes. Apenas 59% das unidades atendiam aos padrões básicos, que incluem protocolos de limpeza e pessoal capacitado. Cerca de 18% das instalações, atendendo aproximadamente 1,5 bilhão de pessoas, não cumpriam nenhum dos requisitos de limpeza ambiental. Essa situação é particularmente crítica nos países menos desenvolvidos, onde apenas 24% dos estabelecimentos de saúde conseguem manter um padrão adequado de limpeza ambiental.
