Adolfo Sachsida, figura central na política econômica do governo Bolsonaro e ex-aliado de Paulo Guedes, une-se à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para coordenar a estratégia econômica do candidato. A entrada de Sachsida visa fortalecer a defesa dos princípios liberais, com foco na consolidação das contas públicas, aumento da produtividade e inclusão social produtiva.
A escolha de Adolfo Sachsida para reforçar a coordenação do plano econômico de Flávio Bolsonaro sinaliza a manutenção de uma linha de pensamento liberal no entorno do candidato. Servidor de carreira do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) desde 1997, Sachsida foi um dos nomes mais próximos do ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, durante o governo de Jair Bolsonaro. Sua participação nas discussões econômicas do grupo bolsonarista remonta à campanha de 2018 e à equipe de transição.
Com uma trajetória acadêmica sólida, incluindo pós-doutorado nos Estados Unidos e atuação como professor, Sachsida ocupou a Secretaria de Política Econômica (SPE) e, posteriormente, o Ministério de Minas e Energia (MME) em 2022. No MME, sua gestão foi marcada pela conclusão do processo de capitalização da Eletrobras, transferindo o controle da empresa para a iniciativa privada, e pela proposta de estudos para a desestatização da Petrobras.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo portal Gazeta do Povo.
Defesa de princípios liberais e pilares econômicos
Na campanha de Flávio Bolsonaro, Sachsida manterá a defesa de seus princípios econômicos, que, segundo ele, baseiam-se nas “políticas mais modernas e bem-sucedidas já testadas no mundo”. O plano econômico do candidato se sustentará em três pilares: a consolidação das contas públicas através do controle de gastos e sem aumento de impostos; o aumento da produtividade, estímulo a investimentos e geração de empregos por meio de desburocratização, desregulamentação, digitalização de serviços e redução de tributos; e a inclusão social produtiva, visando oferecer oportunidades de ascensão social baseadas em qualificação, trabalho e empreendedorismo.
Sachsida, que também é autor de livros sobre economia, incluindo um escrito com Paulo Guedes, esteve diretamente envolvido na formulação e divulgação da agenda econômica do governo Bolsonaro. Sua atuação na SPE concentrou-se na avaliação de medidas e projeções macroeconômicas, mas também ganhou dimensão política na defesa de reformas pró-mercado.
Legado e continuidade da agenda econômica
O economista defende que o equilíbrio das contas públicas é fundamental para a redução de juros e a expansão econômica sustentável, enquanto reformas microeconômicas aumentariam a eficiência e a segurança para investimentos. Essa visão se alinha com as propostas já apresentadas por Flávio Bolsonaro, que incluem cortes de despesas, redução de ministérios, combate a privilégios e a implementação de uma nova regra fiscal para controlar a dívida pública.
Após deixar o governo, Sachsida manteve sua atuação pública e escreveu sobre política econômica, defendendo a responsabilidade fiscal e a redução da intervenção estatal. Ele critica o que considera uma substituição de reformas estruturais por aumento de impostos e expansão de gastos, propondo uma nova regra fiscal baseada na trajetória da dívida pública em relação ao PIB.
Sachsida também expressou preocupação com um eventual quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alertando para o risco de uma crise fiscal profunda e um ambiente mais hostil para o mercado. Ele vê o “Projeto Brasil”, um conjunto de 200 medidas legislativas, como uma estratégia para enfrentar desafios fiscais, de produtividade e de geração de emprego e renda.
