Moraes determinou inclusão de dados que poderiam identificar fonte de jornalista, apesar de alerta da PF
Moraes determinou inclusão de dados que poderiam identificar fonte de jornalista, apesar de alerta da PF

Moraes determinou inclusão de dados que poderiam identificar fonte de jornalista, apesar de alerta da PF

Decisão de Alexandre de Moraes ignora alerta da PF sobre sigilo da fonte jornalística O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) anexasse ao inquérito mensagens que poderiam revelar a identidade de um jornalista maranhense. A decisão ocorreu mesmo após a PF ter alertado, em ofício, sobre […]

Resumo

Decisão de Alexandre de Moraes ignora alerta da PF sobre sigilo da fonte jornalística

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) anexasse ao inquérito mensagens que poderiam revelar a identidade de um jornalista maranhense. A decisão ocorreu mesmo após a PF ter alertado, em ofício, sobre o risco de violação do sigilo da fonte, garantia constitucional fundamental para o exercício profissional do jornalismo. A informação, revelada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pela Gazeta do Povo, gira em torno de uma investigação sobre suposta perseguição ao então ministro Flávio Dino, após reportagens sobre o uso de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do magistrado.

Em abril, um delegado da PF comunicou a Moraes que havia optado por não incluir no inquérito um relatório com conversas que poderiam identificar a fonte do jornalista Luís Pablo Almeida. O policial fundamentou sua decisão no artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal, que assegura o sigilo da fonte. O delegado explicou que as mensagens permitiam identificar o provável responsável pelo envio de fotografias, vídeos e informações sobre os veículos em questão, e que, diante da proteção constitucional, o material não havia sido incorporado aos autos.

Contudo, no mesmo dia, Moraes determinou a juntada das informações ao processo em até 48 horas. O ministro reconheceu a importância do sigilo da fonte para a divulgação de notícias de interesse público, mas argumentou que havia indícios da prática do crime de perseguição e que as provas necessitavam de análise judicial. As informações foram reunidas a partir de reportagens do jornal Folha de S.Paulo e investigações da Gazeta do Povo.

Busca e apreensão contra supostos informantes

A investigação ganhou corpo em agosto, quando Moraes autorizou operações de busca e apreensão contra pessoas apontadas como informantes do jornalista. Entre os alvos estava o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, Raimundo Cutrim, e um advogado. Segundo a PF, Cutrim teria fornecido informações ao jornalista sobre a movimentação de Flávio Dino e seus familiares. A conclusão baseou-se na análise de dispositivos eletrônicos apreendidos de Luís Pablo em uma operação anterior, realizada em março.

A investigação também examinou uma transferência de R$ 100 mil relacionada à compra de um imóvel rural pelo jornalista, com o dinheiro depositado pelo advogado na conta de um terceiro. No entanto, a própria PF ressaltou que não era possível afirmar que o pagamento tivesse sido feito para financiar reportagens contra Dino. Relatórios da Polícia Federal indicavam a intenção de produzir conteúdo desfavorável ao ministro, mas não apresentaram provas concretas de que o jornalista tivesse praticado o crime de perseguição, nem de que tivesse seguido os veículos com a finalidade de intimidar ou constranger Dino.

Jornalista pede arquivamento e debate sobre liberdade de imprensa

Em setembro, o jornalista Luís Pablo Almeida solicitou ao STF o arquivamento das investigações contra ele no âmbito do inquérito das fake news. A defesa argumentou que a inclusão do jornalista no inquérito apresentava um vício de origem e que a proteção constitucional à liberdade de imprensa e ao sigilo da fonte deveria ser considerada. Os advogados mencionaram relatórios da PF que, segundo a petição, não comprovavam o crime de perseguição nem o recebimento de pagamentos por reportagens.

A decisão de buscar a identificação das fontes de Luís Pablo gerou críticas de representantes da advocacia e de entidades ligadas ao jornalismo. A principal preocupação levantada foi o potencial comprometimento da garantia constitucional que protege a relação entre jornalistas e suas fontes. O advogado de Cutrim classificou a medida como uma grave ameaça ao sigilo da fonte e um contrassenso à proteção constitucional à atividade jornalística.

Em resposta, Moraes defendeu a liberdade de imprensa, mas sustentou que o sigilo da fonte não pode servir de escudo para a prática de crimes. O ministro reafirmou que a garantia constitucional é essencial à democracia, mas não impede a investigação de possíveis atividades ilícitas. A assessoria de Flávio Dino, por sua vez, negou irregularidades no uso dos veículos oficiais e afirmou que as medidas de segurança visavam proteger o ministro e seus familiares durante visitas ao Maranhão, apurando o acesso indevido a informações restritas de segurança e seu uso em monitoramento considerado ilegal.

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