Advogados de Flávio Bolsonaro apresentaram pedido formal ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando que o ministro Alexandre de Moraes seja afastado da relatoria do inquérito que apura a relação do senador com o advogado Willer Tomaz. A defesa argumenta que Moraes deveria ser impedido de conduzir a investigação devido ao uso de uma aeronave vinculada a uma empresa que também é objeto de apuração pela Polícia Federal.
O pedido, encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, inclui a solicitação para que o caso seja redistribuído ao ministro André Mendonça. Segundo os advogados de Flávio Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes teria utilizado um jato da empresa Fraction 024, cujas cotas teriam sido destinadas ao escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Essa conexão com a aeronave, que também aparece na apuração sobre a suposta relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz em um esquema de lavagem de dinheiro, justificaria o afastamento, mesmo que a participação de Moraes tenha sido apenas como passageiro.
Caso o STF não reconheça o impedimento, a defesa do senador pede que seja declarada a suspeição do ministro. A petição detalha que o jato Legacy 650, de prefixo PP-NLR, pertencente à Fraction 024, foi utilizado por Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes em julho e agosto de 2025. A Fraction 024 é apontada na investigação como uma sociedade com participação de Willer Tomaz, Laércio Cosentino (fundador da TOTVS) e a Prime You. A defesa alega ainda que Viviane foi contratada pelo Banco Master, cujo dono, Daniel Vorcaro, manteve participação na Prime You, e que a Polícia Federal investiga a possível transferência de cotas da Fraction 024 como forma de pagamento ao escritório dela.
Defesa busca revogação de medidas cautelares
Além da questão do relator, a defesa de Flávio Bolsonaro requer a revogação das medidas cautelares impostas ao senador. Entre elas estão o cancelamento dos passaportes brasileiros, a entrega do documento italiano e a proibição de contato com Willer Tomaz. Os advogados contestam os fundamentos que levaram a essas restrições, afirmando que o Banco Master negou que Flávio fosse “usuário master” de contas ligadas a Tomaz e que o risco de fuga não pode ser baseado em declarações de terceiros. A defesa também argumenta que questionar resultados eleitorais por meios institucionais não configura intenção de deixar o país, e não menciona a viagem de Flávio aos Estados Unidos após a determinação de entrega dos passaportes.
Questionamento sobre a distribuição do inquérito
Em outra frente, a defesa argumenta que o inquérito que envolve Flávio Bolsonaro deveria ter sido distribuído ao ministro André Mendonça, que já relata a Operação Sem Desconto, sobre fraudes no INSS. Segundo os advogados, o caso seria um desdobramento dessa investigação, tendo em comum a apuração sobre Willer Tomaz e sua rede de empresas. Eles também questionam a forma como as medidas cautelares foram impostas por Alexandre de Moraes na noite da eleição, sem manifestação prévia da Procuradoria-Geral da República, e que teriam sido requeridas e autorizadas em poucas horas, com base em declarações, inclusive de Eduardo Bolsonaro.
A investigação em curso apura a existência de uma suposta sociedade indireta entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz para lavagem de dinheiro, inclusive por meio de uma casa de apostas. Ambos negam as irregularidades.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela defesa de Flávio Bolsonaro e reportagens jornalísticas.
