Crítica aponta que o novo filme do cineasta mexicano se perde em exageros e falta de graça, mesmo com atuações e visual potentes.
Alejandro González Iñárritu, cineasta renomado por obras como “Amores Brutos”, “21 Gramas” e “Babel”, além de vencedor de cinco Oscars, encontra-se em uma encruzilhada com seu mais recente trabalho, “Digger”. O filme, que conta com Tom Cruise no papel de um excêntrico magnata do petróleo, propõe uma sátira mordaz sobre os danos ambientais causados pelo capitalismo e a arrogância do poder, mas, segundo a crítica, falha em entregar sua mensagem de forma eficaz, afogando-se em 128 minutos de excessos.
A premissa de “Digger” gira em torno de um bilionário do ramo petrolífero (Cruise) que, após um desastre ambiental de sua autoria, busca salvar o mundo sem ceder em seu ego ou em seus lucros. Ele é acompanhado por figuras que representam o poder nos Estados Unidos, incluindo um presidente caricatural com semelhanças evidentes a Donald Trump. O filme se propõe a ser uma farsa satírica e hilariante, mas a recepção geral aponta para uma execução que beira a tortura.
As informações foram reunidas a partir de análises críticas sobre o filme “Digger”.
Um Exercício de Metaficção e Estilo Visual
Apesar das críticas contundentes, alguns elementos de “Digger” são reconhecidos por seu mérito. A metaficção do filme, que explora o diálogo entre realidade e sua representação, a linha tênue entre ação e narrativa, e a própria história, é apontada como um dos poucos aspectos que funcionam em meio ao caos. Nesse sentido, o estilo visual surreal e a cinematografia de Emmanuel Lubezki recebem elogios, destacando-se como pontos altos em um conjunto considerado problemático.
Exageros e Falta de Graça Prejudicam a Experiência
O grande obstáculo de “Digger”, segundo as críticas, reside na forma como os momentos de inspiração são soterrados por um excesso de histrionismo sem graça. Situações levadas ao extremo, tiques grotescos e vulgaridade permeiam a obra, tornando os 128 minutos de duração uma experiência cansativa para o espectador. A falta de pausas ou momentos de respiro é agravada pelo fato de os personagens passarem a maior parte do tempo gritando, impedindo até mesmo que o público encontre alívio no tédio.
A atuação de Tom Cruise, embora escondida sob camadas de maquiagem, tem sido elogiada por alguns, que acreditam ter encontrado nela a chave para decifrar o “êxtase cinematográfico” proposto pelo filme. No entanto, para muitos, o alto custo de produção e a visão do diretor parecem ter resultado em um desastre absoluto, onde o talento individual se perde em um projeto ambicioso, mas mal executado.
