Flávio Bolsonaro (PL) reafirmou seu compromisso em buscar a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para extinguir a reeleição presidencial, caso seja eleito. A iniciativa, que valeria já para seu próprio mandato, visa fortalecer alianças políticas e diminuir a resistência de eleitores à ideia de uma sucessão familiar no poder. A promessa é vista como um movimento estratégico para organizar a sucessão dentro da direita e consolidar apoio de setores como o Centrão e o partido Republicanos, que já manifestaram suporte à sua candidatura.
A declaração de Flávio Bolsonaro, após a vitória no primeiro turno, sinaliza a intenção de utilizar o capital político de uma eventual vitória para impulsionar a mudança constitucional. Ao afirmar que disputa “o futuro do Brasil e não o poder”, o senador indica sua renúncia à possibilidade de buscar um segundo mandato consecutivo. Ele argumenta que a reeleição se tornou um “estatuto que provou não dar certo no país”, defendendo a alternância como princípio fundamental. A proposta, apresentada originalmente em março como PEC 4/2026, impede a candidatura imediata de um presidente para um novo mandato, resguardando os quatro anos de exercício do cargo. O texto, contudo, não abrange governadores e prefeitos, buscando reduzir focos de resistência entre aliados.
A iniciativa de Flávio Bolsonaro ganha contornos mais amplos ao se alinhar com projetos de outros nomes importantes da direita, como Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. A possibilidade de Flávio não buscar a reeleição abre caminho para que Tarcísio, ao concluir seu segundo mandato como governador, possa concorrer à Presidência em 2030. O apoio recente do Republicanos e a adesão do Podemos à campanha de Flávio reforçam essa articulação, que também inclui a Federação União Brasil e o PP. Esse movimento busca aproximar projetos pessoais e partidários visando a disputa presidencial.
A proposta de Flávio Bolsonaro também pode ter o efeito de neutralizar especulações sobre uma possível candidatura de Jair Bolsonaro em 2030, como aventado pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Ao defender o fim da reeleição e, em sua fala mais recente, sugerir restrições a parentes de até terceiro grau na sucessão, Flávio busca afastar a percepção de que seu eventual mandato seria apenas uma transição para o pai. No entanto, essa restrição a familiares ainda dependerá da negociação e redação final a ser acordada com o Congresso Nacional.
A promessa de um mandato único é apresentada como um argumento para a implementação de reformas estruturais. A ideia é que, sem a necessidade de calcular ganhos eleitorais imediatos para uma campanha de reeleição, um governo teria mais liberdade para tomar decisões impopulares, como um ajuste fiscal rigoroso. A ausência de uma candidatura em 2030 poderia, teoricamente, aumentar a disposição para enfrentar resistências internas em 2026. Contudo, a aprovação de uma PEC exige um amplo apoio no Congresso, com 308 votos na Câmara e 49 no Senado, em dois turnos em cada Casa. Flávio Bolsonaro admite a possibilidade de discutir a duração do mandato e sua extensão a outros cargos executivos, buscando construir um consenso.
As informações foram reunidas a partir de notícias divulgadas nesta quinta-feira (8) e de informações sobre a PEC 4/2026 protocolada em março deste ano.
