Dino aponta emendas parlamentares como 'maior vetor de corrupção' no Brasil
Dino aponta emendas parlamentares como ‘maior vetor de corrupção’ no Brasil

Dino aponta emendas parlamentares como ‘maior vetor de corrupção’ no Brasil

Ministro do STF alerta para riscos e entrelaçamentos no sistema de emendas parlamentares O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, declarou nesta segunda-feira (24) que as emendas parlamentares se tornaram o principal meio pelo qual a corrupção se manifesta no Brasil. Segundo Dino, a flexibilização das normas de repasse de verbas, especialmente durante […]

Resumo

Ministro do STF alerta para riscos e entrelaçamentos no sistema de emendas parlamentares

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, declarou nesta segunda-feira (24) que as emendas parlamentares se tornaram o principal meio pelo qual a corrupção se manifesta no Brasil. Segundo Dino, a flexibilização das normas de repasse de verbas, especialmente durante o período da pandemia de Covid-19, intensificou essa problemática, permitindo que atividades ilícitas se aprofundassem.

A afirmação foi feita durante um encontro sobre “Criminalidade, Estado e Mercado”, organizado pelo Grupo de Estudos de Lavagem de Dinheiro da USP, no qual Dino participou por videoconferência. Ele destacou que, ao analisar os mecanismos de corrupção que envolvem o setor público e o privado, as emendas parlamentares emergem como um ponto crítico, abrangendo diferentes esferas de poder e níveis federativos.

As informações foram divulgadas pelo jornal Valor Econômico.

Avanço do crime organizado e o “Orçamento de Guerra”

Flávio Dino, que também é relator de ações no STF relacionadas à execução e transparência das emendas, mencionou que os repasses chegaram a R$ 150 bilhões nos últimos anos. Ele expressou preocupação com o avanço do crime organizado no país, alertando para um nível de interconexão sem precedentes entre figuras corruptas, políticos e narcotraficantes.

O ministro apontou a criação do “Orçamento de Guerra” em 2020, que flexibilizou as regras fiscais em resposta à pandemia, como um “marco zero” para o problema. Dino ressaltou que este período facilitou a rápida formação de “engenhos criminosos” na alocação de recursos, especialmente para a área da saúde, dando origem ao que se conhece como “Orçamento Secreto” com a dimensão atual.

Ele comparou a situação atual com o passado, afirmando que, antigamente, os envolvidos em atividades criminosas e os políticos corruptos operavam em esferas distintas. “Hoje, o mesmo avião transporta toda essa gente”, ilustrou Dino, enfatizando a profunda “amalgamação” entre criminosos, corruptos e a classe política.

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