Procuradoria-Geral da República solicita transferência de inquérito envolvendo Fábio Luís Lula da Silva para a Primeira Instância
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que um dos inquéritos que apura o envolvimento do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, seja remetido para a Primeira Instância da Justiça. A justificativa apresentada é a ausência de qualquer autoridade com foro privilegiado nas investigações em questão.
O inquérito em foco apura suspeitas de tráfico de influência exercido por Lulinha no âmbito governamental, visando a venda de cannabis medicinal para o Ministério da Saúde. Essa mesma investigação já envolveu o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o “Marcola”, devido à sua ligação com a lobista Roberta Luchsinger. O pedido da PGR já foi encaminhado ao gabinete do ministro Mendonça e também à Polícia Federal, responsável pela condução das apurações.
A solicitação da PGR ocorre em um momento de atenção política, um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter se reunido com o advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, e o ex-ministro Fernando Haddad. O inquérito também menciona o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, que seria ligado à empresa World Cannabis, envolvida na tentativa de negociação de um contrato estimado em R$ 626 milhões com o Ministério da Saúde, acordo que, segundo a pasta, não se concretizou.
Detalhes da Investigação e Conexões
As investigações apontam para a articulação de um grupo que visava obter uma margem de lucro de 20% sobre o faturamento de vendas para órgãos públicos. Segundo a Polícia Federal, Lulinha teria viajado a Portugal para visitar uma fábrica de canabidiol acompanhado de “Careca do INSS”, com a suspeita de que viagens e outras vantagens teriam sido custeadas para assegurar a intermediação do filho do presidente em negócios com o governo.
Em um dos relatórios da investigação, a autoridade policial indicou que Roberta Luchsinger agia em nome de Lulinha em negociações, chegando a se identificar como “Eu sou o Fábio”. A Polícia Federal considera que ela aparentemente possuía autorização para agir em representação do empresário. A lobista teria encaminhado um documento sobre a negociação com o Ministério da Saúde a Marcola, que, segundo ele, não foi repassado a outros integrantes do governo.
O Ministério da Saúde, em nota, esclareceu que “nunca houve possibilidade de contratar canabidiol por parte do Ministério da Saúde, uma vez que o produto sequer está incorporado ao SUS. Dessa forma, a pasta não compra nem fornece o produto e não tem qualquer contrato. Nunca existiu, por parte desta gestão, discussão para a sua oferta na rede pública de saúde”.
Outras Apurações e Defesa de Lulinha
Além deste inquérito, Lulinha responde a outras duas apurações autorizadas pelo STF. Uma delas investiga a tentativa de influenciar negócios da Dataprev, com relatoria do ministro André Mendonça. A terceira apuração trata do vazamento de informações sobre a relação com “Careca do INSS” na empresa de cannabis medicinal, tendo o ministro Flávio Dino como relator.
A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade e alega que o empresário é vítima de “pesca probatória”, uma suposta tentativa de encontrar condutas ilícitas por interesses políticos no período eleitoral. Em nota, a defesa afirmou que, caso haja violação de sigilo funcional, o recorte seletivo e a divulgação parcial de mensagens revelam falta de imparcialidade e desrespeito às leis. A defesa reitera a confiança nas instâncias formais de apuração e solicitará rigorosas investigações sobre o possível envolvimento de servidores em vazamentos seletivos.
