Primatas exibem comportamentos que lembram a criação de animais de estimação, sugere estudo
Primatas exibem comportamentos que lembram a criação de animais de estimação, sugere estudo

Primatas exibem comportamentos que lembram a criação de animais de estimação, sugere estudo

A inclinação para “pets” pode ser mais antiga do que se pensava A relação entre humanos e animais de estimação é complexa e, muitas vezes, vista como um investimento evolutivo de baixo retorno. No entanto, um novo estudo publicado na revista Primates sugere que o comportamento de criar e cuidar de outras espécies pode não […]

Resumo

A inclinação para “pets” pode ser mais antiga do que se pensava

A relação entre humanos e animais de estimação é complexa e, muitas vezes, vista como um investimento evolutivo de baixo retorno. No entanto, um novo estudo publicado na revista Primates sugere que o comportamento de criar e cuidar de outras espécies pode não ser exclusivo dos Homo sapiens. Pesquisadores observaram primatas, como chimpanzés e macacos, interagindo com animais de outras espécies de maneiras que lembram o cuidado com animais de estimação, indicando que essa inclinação pode ter raízes ancestrais.

O estudo, liderado pelo antropólogo Cyril Grueter da Universidade de Oxford, compilou 427 registros de interações entre 88 espécies de primatas e outras criaturas. As observações abrangeram tanto animais em estado selvagem quanto em cativeiro, revelando que todos os primatas estudados exibiram algum comportamento que poderia ser associado ao cuidado com animais de estimação.

Essas observações, reunidas a partir de reportagens, literatura científica e consultas a primatólogos, incluem casos como chimpanzés acariciando macacos-de-cauda-vermelha, macacos do gênero Macaca formando laços fortes com galinhas em seus recintos, e macacos-prego adotando e amamentando filhotes de sagui. As interações mais comuns envolviam brincadeiras e higiene, refletindo as dinâmicas sociais típicas de cada espécie de primata.

Um olhar sobre o comportamento primate

As interações observadas variavam de acordo com a idade e o sexo dos primatas. Filhotes eram mais propensos a interagir de forma lúdica com outras espécies, enquanto fêmeas adultas demonstravam maior tendência a cuidar e amamentar animais adotados. Machos adultos, por outro lado, frequentemente apresentavam indiferença ou até mesmo comportamentos violentos. Embora muitas dessas interações fossem passageiras, alguns casos simulavam uma adoção genuína.

A motivação por trás desses comportamentos ainda é objeto de estudo, mas uma hipótese é que a solidão desempenhe um papel. Assim como os humanos buscam companhia para aliviar sentimentos de solidão, os primatas podem se engajar em interações de catação ou aconchego com outras espécies para satisfazer necessidades de intimidade.

As origens da relação com animais de estimação

A criação de animais de estimação pelos humanos é um fenômeno antigo, com evidências arqueológicas datando de pelo menos 14.000 anos atrás. No entanto, as razões exatas para essa prática e seu início permanecem incertas. Teorias sugerem que o hábito pode ter começado por utilidade, como auxílio na caça ou proteção, ou por uma tendência inata humana de cuidar e formar vínculos com outros seres vivos. A pesquisa com primatas oferece uma nova perspectiva, sugerindo que a base para essa inclinação pode ser anterior à domesticação e estar presente em nossos parentes mais próximos.

Embora os comportamentos observados em primatas não sejam equivalentes à relação moderna que temos com cães e gatos, eles podem fornecer pistas valiosas sobre os

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