Greve no IBGE: Servidores Cruzam os Braços Contra a Gestão de Pochmann
Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciaram uma greve nesta segunda-feira (17), manifestando descontentamento com a administração do presidente Márcio Pochmann. A paralisação, que já conta com a adesão de três núcleos do instituto – Bahia e duas unidades no Rio de Janeiro (sede e Dipeq) –, reflete um crescente atrito entre a categoria e a presidência, com reivindicações que vão desde reajuste salarial à reabertura de canais de diálogo.
A pauta de reivindicações apresentada pelo sindicato que representa os trabalhadores é extensa e inclui o compromisso com o Programa de Gestão e Desempenho (PGD) para ingressantes do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), a criação de comissões paritárias para discutir o programa e a experiência do concurso unificado, o retorno dos critérios para indenização de campo, e reajuste e garantia de direitos aos trabalhadores temporários. Além disso, a categoria exige a eleição do Comitê de Carreira, a negociação dos dias paralisados na greve do núcleo Chile e, fundamentalmente, a reabertura dos canais de diálogo e a adoção de uma gestão democrática.
A tensão entre servidores e a cúpula do IBGE não é recente. Em julho, a Diretoria de Geociências emitiu um comunicado que restringia a comunicação a níveis hierárquicos estritos, ameaçando punir quem desobedecesse. O comunicado determinava que a comunicação deveria seguir uma linha rígida: servidores falariam com gerentes, gerentes com coordenadores, coordenadores com diretores, e diretores com diretores e o presidente. A nota ainda alertava que a recusa injustificada em seguir a hierarquia configuraria falta disciplinar, violando deveres de lealdade e respeito aos níveis administrativos.
Gestão Pochmann e o Crescente Desentendimento com Servidores
Desde a posse de Márcio Pochmann, a relação com os servidores tem sido marcada por um escalonamento de tensões. Pochmann assumiu a presidência com a promessa de atender às demandas da categoria, incluindo a realização de um congresso institucional. No entanto, o projeto “Diálogos IBGE”, proposto em substituição ao congresso, foi rejeitado pelo sindicato por considerar que deturpava o formato original, que visava um planejamento estratégico baseado em procedimentos específicos.
Em um episódio que ilustra o clima de confronto, sindicalistas teriam sido rotulados de “bolsonaristas” após apresentarem suas reivindicações a Pochmann durante as comemorações de aniversário do Instituto. Para os sindicatos, essa atitude do presidente demonstra uma contradição entre seu discurso progressista e a prática de deslegitimar a organização coletiva e a capacidade de resistência dos servidores que discordam de sua gestão.
A paralisação desta segunda-feira, que pode se expandir, já inclui indicativos de greve em Mato Grosso e no Pará, e estados como Sergipe, Piauí, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Paraná, e núcleos no Rio de Janeiro (Chile e Canabarro) estão em estado de greve, indicando um descontentamento generalizado na autarquia. O IBGE foi procurado para comentar a situação, mas não retornou até o fechamento desta reportagem.
