Mineral zircão reforça hipótese de impacto cósmico na Cratera de Colônia, em São Paulo
Mineral zircão reforça hipótese de impacto cósmico na Cratera de Colônia, em São Paulo

Mineral zircão reforça hipótese de impacto cósmico na Cratera de Colônia, em São Paulo

Nova evidência científica aponta para origem extraterrestre da Cratera de Colônia A hipótese de que a Cratera de Colônia, localizada na zona sul de São Paulo, foi formada pelo impacto de um corpo celeste há milhões de anos ganhou um novo e robusto reforço. Um estudo recente, publicado na revista científica Earth and Planetary Science, […]

Resumo

Nova evidência científica aponta para origem extraterrestre da Cratera de Colônia

A hipótese de que a Cratera de Colônia, localizada na zona sul de São Paulo, foi formada pelo impacto de um corpo celeste há milhões de anos ganhou um novo e robusto reforço. Um estudo recente, publicado na revista científica Earth and Planetary Science, analisou deformações microscópicas em um mineral chamado zircão, encontrado em amostras coletadas em diferentes profundidades da cratera. As marcas observadas nesses cristais são compatíveis apenas com condições extremas de pressão e temperatura, características de um evento de impacto.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo (Semil), foca nas microestruturas internas do zircão. Este mineral, composto de silicato de zircônio, possui uma estrutura cristalina que reage de maneiras específicas a pressões e temperaturas elevadas. Ao analisar grãos de zircão com diâmetros de até 0,05 milímetro, os pesquisadores identificaram deformações como recristalização, desorientação cristalográfica, perturbação das zonas de crescimento, estruturas planares de deformação (PDFs) e texturas granulares.

Essas feições, segundo a geóloga Alethéa Sallun, pesquisadora do IPA e coautora do estudo, apresentam características geométricas inequívocas de uma deformação por choque. “As marcas mostram que os cristais foram submetidos a condições extremamente intensas e que só podem estar associadas a um impacto”, explica Sallun. Ela ressalta que, embora a cratera já fosse conhecida, a análise detalhada do zircão oferece um “registro interno” de como os minerais foram afetados pelo evento.

Zircão: uma testemunha microscópica do impacto

O zircão já estava presente nas rochas da região antes do impacto, o que significa que sua origem no local não é extraterrestre. Contudo, a presença de grãos de zircão com deformações de impacto é uma descoberta significativa, pois não havia sido identificada em outros registros de impacto de meteoritos no Brasil. A análise microscópica revelou que as estruturas planares de deformação, em particular, são evidências incontestáveis de um choque de alta energia, superando o tipo de deformação gerada por atividades tectônicas ou metamorfismo comum.

“Quando a onda de choque atravessou essas rochas, a pressão extrema deformou a estrutura interna dos cristais, deixando marcas microscópicas que hoje podemos observar”, relata a pesquisadora. Ela complementa que, embora o estudo confirme a natureza do impacto, ele não permite calcular diretamente a pressão máxima do evento, nem o tamanho ou a velocidade do objeto que atingiu a região de Colônia, que tem aproximadamente 3,6 quilômetros de diâmetro.

Próximos passos na investigação da Cratera de Colônia

Os próximos passos da pesquisa envolverão a combinação da análise microscópica com outras técnicas, como a datação radiométrica dos zircões. A datação pode ajudar a determinar a idade exata do impacto, dependendo de como o evento alterou os sistemas isotópicos desses minerais. Ao integrar essas novas informações com outras evidências já coletadas sobre a cratera, os cientistas esperam obter uma compreensão mais clara sobre como e quando o evento cósmico ocorreu.

A Cratera de Colônia, situada no distrito de Parelheiros, a cerca de 40 km do centro de São Paulo, tem sido objeto de estudo há anos. As pesquisas anteriores, lideradas pelo geólogo Victor Velázquez Fernandez, da USP, já apontavam para a origem por impacto. O novo estudo, ao fornecer uma análise mineralógica detalhada, consolida essa hipótese e adiciona uma camada de compreensão sobre os processos geológicos extremos que moldaram a paisagem paulistana.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados na revista Earth and Planetary Science e por pesquisadores da USP e do IPA.

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