Prêmio Icesp reconhece pesquisas inovadoras contra tumor cerebral e leucemia
Prêmio Icesp reconhece pesquisas inovadoras contra tumor cerebral e leucemia

Prêmio Icesp reconhece pesquisas inovadoras contra tumor cerebral e leucemia

Pesquisas promissoras no combate ao câncer foram laureadas na 17ª edição do Prêmio Octavio Frias de Oliveira, promovido pelo Icesp. Duas pesquisas com potencial para revolucionar o tratamento de doenças oncológicas foram as grandes vencedoras da 17ª edição do Prêmio Octavio Frias de Oliveira, realizado pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) […]

Resumo

Pesquisas promissoras no combate ao câncer foram laureadas na 17ª edição do Prêmio Octavio Frias de Oliveira, promovido pelo Icesp.

Duas pesquisas com potencial para revolucionar o tratamento de doenças oncológicas foram as grandes vencedoras da 17ª edição do Prêmio Octavio Frias de Oliveira, realizado pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) em parceria com a Folha. Os estudos premiados abordam uma nova abordagem para o tratamento do glioblastoma, um dos tumores cerebrais mais agressivos, e a identificação de um marcador que pode prever o risco de recaída em pacientes com leucemia mieloide aguda (LMA).

A cerimônia, realizada em São Paulo, reuniu cerca de 200 convidados, entre pesquisadores, representantes de instituições da área de oncologia e estudantes. A premiação, que homenageia desde 2010 o publisher Octavio Frias de Oliveira, busca estimular a produção de conhecimento científico e a inovação no combate ao câncer no Brasil. Cada vencedor nas categorias Pesquisa em Oncologia e Inovação em Tecnologia recebe R$ 20 mil e um certificado.

Nova via de administração para glioblastoma

Na categoria Inovação em Tecnologia, o reconhecimento foi para um estudo sobre glioblastoma que propõe uma nova forma de administrar a temozolomida, principal quimioterápico utilizado no tratamento. A pesquisa, conduzida no Instituto de Física da USP em São Carlos, desenvolveu uma tecnologia para administrar o medicamento pela via nasal. A ideia é que, ao ser inalado, o fármaco chegue mais diretamente ao cérebro, aumentando sua eficácia contra o tumor e minimizando os efeitos colaterais associados à administração oral em altas doses.

A estratégia envolve o uso de nanopartículas biodegradáveis, carregadas com o quimioterápico e revestidas com a membrana das próprias células tumorais. Essa técnica, descrita como um “cavalo de Troia” pelos pesquisadores, visa aprimorar a entrega do medicamento às células cancerígenas, contornando a barreira hematoencefálica e reduzindo a necessidade de doses elevadas que circulam pelo corpo. A pesquisa já passou por testes em células, ovos de galinha, tecidos de porco e camundongos, com planos para ensaios clínicos em humanos.

Marcador preditivo para recaída de leucemia

A categoria Pesquisa em Oncologia premiou um estudo que identificou um biomarcador capaz de prever quais pacientes com LMA têm maior risco de ter a doença recorrente. A pesquisa, realizada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, analisou o DNA mitocondrial em células de pacientes com leucemia mieloide aguda. Os resultados indicam que um alto conteúdo de DNA mitocondrial está associado a uma maior dependência energética das células leucêmicas, maior resistência ao tratamento e, consequentemente, um risco aumentado de recaída.

Este biomarcador, que pode ser medido por um exame de PCR similar ao utilizado para detectar o coronavírus, permite identificar precocemente pacientes com prognóstico menos favorável já no momento do diagnóstico. O estudo, que envolveu a análise de dados clínicos e amostras de mais de 500 pacientes no Brasil e na Holanda, também explorou estratégias para atacar essa dependência energética das células leucêmicas, como o uso da metformina (medicamento para diabetes) em combinação com terapias-alvo. Os próximos passos incluem estudos clínicos para validar o uso deste marcador na seleção de pacientes para terapias específicas.

Personalidade de Destaque e o legado da pesquisa

Nesta edição, a categoria Personalidade de Destaque homenageou a professora Luisa Lina Villa, bióloga e bioquímica com contribuições significativas para o reconhecimento do HPV como causa de diversos tipos de câncer, incluindo o de colo de útero. Villa, chefe do Laboratório de Inovação em Câncer do Icesp, emocionou-se ao receber o prêmio, destacando a importância da ciência e das políticas públicas na prevenção de doenças.

O Prêmio Octavio Frias de Oliveira, desde sua criação, tem sido fundamental para dar visibilidade a pesquisas de ponta e incentivar a produção científica no Brasil. Representantes das pesquisas premiadas ressaltaram a importância dessas premiações para abrir portas a novas parcerias e avançar no desenvolvimento de terapias mais eficazes e menos tóxicas para pacientes com câncer.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Icesp e Folha de S.Paulo.

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