A mais antiga Bíblia Luterana aberta ao público no Brasil encontra-se em Rolante, no Rio Grande do Sul. O exemplar, datado de 1747, foi impresso em Nuremberg, Alemanha, e é considerado um marco histórico e cultural da imigração alemã no país.
Adquirida em 2026 pela cooperativa Sicredi Caminho das Águas, a Bíblia rara está exposta no Memorial Anneken e representa um elo tangível com a Reforma Protestante e a herança dos colonizadores germânicos. A obra pertence à tradição das Bíblias Ernestinas, um projeto editorial encomendado pelo duque Ernesto I de Saxe-Gota ao impressor Wolfgang Endter entre os séculos XVII e XVIII. Mais do que um livro religioso, o exemplar simboliza a democratização do acesso às Escrituras, impulsionada por Martinho Lutero com sua tradução para o alemão.
A preciosidade deste exemplar reside em seus elementos únicos, que não são encontrados em edições protestantes mais modernas. Ele inclui sete livros considerados úteis por Lutero para leitura, biografias do reformador e a Confissão de Augsburgo, documento fundamental da fé luterana. A Bíblia é enriquecida por ilustrações sofisticadas para a época, como xilogravuras em madeira e gravuras de página inteira produzidas por calcografia, técnica que utilizava chapas de cobre para criar detalhes e sombras delicados.
Preservação de Quase Três Séculos
A notável longevidade da Bíblia de 1747 é atribuída à sua fabricação artesanal de alta qualidade. As páginas, feitas com papel de trapo – uma composição de fibras de linho e algodão –, exibem uma resistência superior à acidez em comparação com o papel industrial moderno. A encadernação reforçada, com capa em couro curtido sobre tábuas de madeira e fechos e cantoneiras de metal, protege as páginas contra deformações causadas pela umidade. Estima-se que a produção de um único exemplar como este pudesse levar até dois anos.
Importância para o Patrimônio Brasileiro
A presença desta Bíblia no Memorial Anneken é de grande relevância para a preservação da memória da imigração alemã no Brasil, iniciada em 1824. Em um país onde exemplares de publicações desse período acessíveis ao público são raríssimos, o livro funciona como um portal para o passado europeu e um testemunho da formação cultural do Rio Grande do Sul. Ele oferece a visitantes e pesquisadores a oportunidade de estudar técnicas centenárias de impressão e a evolução da fé cristã, fortalecendo a identidade regional e nacional.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Gazeta do Povo.
