PF aponta senador Jaques Wagner em esquema de favorecimento ao Banco Master
O senador Jaques Wagner (PT-BA) é apontado pela Polícia Federal como um agente que atuou em quatro frentes estratégicas para beneficiar o antigo Banco Master e seus controladores. A investigação, que faz parte da Operação Compliance Zero, levanta indícios de que o parlamentar pode ter recebido vantagens econômicas por meio de familiares e pessoas de sua confiança, em paralelo a pautas legislativas de interesse financeiro do grupo bancário.
As informações reunidas pela Polícia Federal indicam que a atuação de Wagner no Senado Federal teria favorecido o Banco Master em eixos de grande relevância para o setor financeiro. Entre as ações destacadas estão a ampliação do crédito consignado e a alteração nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que assegura o dinheiro de correntistas em caso de falência de instituições financeiras. Mensagens interceptadas pela PF sugerem que uma proposta de alteração no FGC, apelidada de ‘emenda Master’, poderia multiplicar por seis o volume de negócios do banco. Adicionalmente, o senador foi relator de um projeto sobre créditos de carbono, área na qual os proprietários do banco possuíam investimentos significativos na região amazônica.
Conexões familiares e encontros discretos sob escrutínio
Um ponto central na investigação é a coincidência de datas entre a defesa de uma medida provisória para ampliar o crédito consignado pelo INSS e a contratação de uma empresa pela qual a nora do senador, Bonnie Bonilha, é sócia. A empresa em questão, a BN Financeira, teria obtido exclusividade na captação de novos clientes para o crédito consignado do Banco Master, o que a PF considera um indício relevante para apurar o possível recebimento de vantagens indiretas pelo parlamentar.
Além disso, relatórios da investigação mencionam que o senador Jaques Wagner teria sugerido que reuniões com representantes do banco ocorressem em seu gabinete, descrevendo o local como um ambiente “mais protegido e discreto”. O objetivo seria, segundo a PF, evitar a exposição pública dos empresários e facilitar a troca de informações sobre propostas legislativas, como a que tratava da autonomia do Banco Central e buscava elevar o limite de cobertura do FGC para R$ 1 milhão.
Em resposta às suspeitas, Jaques Wagner declarou estar tranquilo e confiante em sua inocência, acreditando que a apuração das instituições afastará as dúvidas. Sua assessoria não comentou as acusações individualmente. Até o momento, a defesa dos controladores do Banco Master, Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima, não se pronunciou. O senador Ciro Nogueira, também citado em outra vertente da mesma investigação, negou qualquer irregularidade.
As informações foram apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.
