Pressão continental força Infantino a recuar em plano de privatização da Fifa
A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) comunicou oficialmente que as 55 federações filiadas ao bloco europeu boicotarão todas as competições organizadas pela Fifa caso o plano de privatização parcial da entidade, proposto pelo presidente Gianni Infantino, não seja abandonado. A medida, que visa a operação de eventos como a Copa do Mundo por uma empresa privada, enfrentou forte resistência e, diante da pressão, Infantino cedeu na noite de sexta-feira (31).
A intenção por trás da controversa proposta seria garantir a permanência de Infantino no poder, possivelmente através de um conflito de interesses onde ele mesmo seria acionista da empresa compradora. A Uefa, considerada a entidade continental de maior peso político e econômico dentro da Fifa, foi a primeira a erguer a voz contra a manobra, alertando para as graves consequências que tal decisão traria ao cenário do futebol mundial.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados por fontes jornalísticas.
Impacto de um boicote europeu no futebol global
Um boicote em larga escala por parte das federações europeias teria efeitos devastadores. A ausência de seleções como Alemanha, França, Inglaterra, Espanha e Portugal, por exemplo, esvaziaria drasticamente a Copa do Mundo. O torneio feminino de 2027, previsto para o Brasil, também seria significativamente prejudicado. Da mesma forma, competições como o Mundial de Clubes perderiam seu apelo, com confrontos entre gigantes europeus e sul-americanos tornando-se apenas fantasias em videogames.
A ameaça da Uefa, que geralmente tem dificuldade em obter consenso absoluto em votações na Fifa, demonstra a gravidade da proposta de Infantino e a capacidade da entidade de gerar divisões. Caso o impasse se prolongasse até 2030, o Mundial poderia ocorrer sem a participação de equipes europeias, forçando seleções como a brasileira a buscar novos adversários para testar suas forças em fases eliminatórias.
Histórico de boicotes e posicionamentos divergentes
A matéria relembra o boicote histórico da Itália à Copa do Mundo, iniciado em 2018, possivelmente como protesto contra a política externa da Rússia. Quatro anos depois, em 2022, a seleção italiana novamente ficou de fora, desta vez em razão de discordâncias com a escolha do Catar como sede, citando violações de direitos humanos, especialmente em relação a mulheres e à comunidade LGBTQIA+.
O texto ironiza a ideia de que a Fifa seja uma entidade sem fins lucrativos, contrastando a percepção popular com a realidade de altos lucros envolvidos em suas operações. A menção à demissão de um conselheiro sênior de Infantino após o anúncio da intenção de privatizar parte da Fifa reforça a percepção de que havia “algo de muito podre no reino da bola”.
Concacaf se une à Uefa contra a privatização
Além da Uefa, a Concacaf, confederação que abrange América do Norte, Central e Caribe, e que tem os Estados Unidos como membro proeminente, também se manifestou majoritariamente contrária à proposta de privatização. A convergência de opiniões entre as duas poderosas confederações forçou Infantino a recuar, evitando uma crise ainda maior na estrutura do futebol internacional. A notícia do recuo foi confirmada na noite de sexta-feira (31).
Embora a Copa do Mundo tenha sido evitada por enquanto, o cenário do futebol internacional permanece dinâmico, com eventos como a Eurocopa em 2028 e a Copa América na América do Sul como alternativas para os amantes do esporte, mesmo que a organização desta última, pela Conmebol, possa ocorrer a qualquer momento, sem avisos prévios.
