Uma história macabra descoberta na cidade de Orange, no sul da França, abala o país e joga luz sobre um fenômeno psicológico complexo: a negação da gravidez. Os restos mortais de cinco recém-nascidos foram encontrados no apartamento de um casal de 32 anos, pais de duas crianças, que afirmam não ter conhecimento das gestações. O caso está sob investigação policial por homicídio de menores.
A descoberta chocante ocorreu após a mulher ser levada ao hospital após dar à luz em casa. Seu companheiro, alegando ter descoberto a gravidez apenas tardiamente, encontrou caixas com o que pareciam ser restos humanos e alertou as autoridades. Vizinhos descrevem o casal como discreto e normal, mostrando perplexidade e incredulidade diante dos fatos, sem terem notado qualquer sinal de gravidez ou problemas familiares. O pai declarou aos investigadores desconhecer as sucessivas gestações da companheira.
O caso levanta debates sobre o transtorno psicológico conhecido como “negação de gravidez” (déni de grossesse), uma condição em que algumas mulheres não têm consciência da gestação até fases avançadas ou mesmo até o momento do parto. Segundo especialistas, esse fenômeno pode ocorrer em cerca de uma a cada 300 ou 400 gestações, embora a negação total até o nascimento seja rara, representando menos de 1% desses casos. O corpo pode apresentar poucos sinais visíveis, levando a situações em que a gestação passa despercebida por familiares e amigos.
É crucial, no entanto, diferenciar a negação de gravidez do infanticídio. Enquanto a negação da gestação é um mecanismo psicológico complexo, muitas vezes associado a traumas profundos, como violência sexual na infância, o infanticídio é um crime contra recém-nascidos. Embora os dois fenômenos possam coexistir, não devem ser automaticamente confundidos. A negação de gravidez não é classificada como um transtorno específico no DSM-5, mas sim como um fenômeno clínico ou sintoma secundário a outras condições psiquiátricas.
O caso em Orange, ainda em fase de investigação, ressalta a necessidade de maior compreensão e acompanhamento psicológico para mulheres em situações de vulnerabilidade. A tragédia expõe uma realidade clínica pouco compreendida pela sociedade e até mesmo por parte da comunidade médica, levantando questões urgentes sobre saúde mental, prevenção e o apoio necessário para evitar desfechos tão devastadores.
