Presidente relata mágoa profunda e critica atuação da força-tarefa na Lava Jato.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou nesta quinta-feira (30) uma “profunda mágoa” em relação às pessoas que, em sua visão, “endeusaram” o ex-juiz da Lava Jato, senador Sergio Moro (PL-PR), e o ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo-PR), atual pré-candidato ao Senado. Lula afirmou que aqueles que elevaram Moro e Dallagnol a um patamar quase de santidade falharam em demonstrar humildade e pedir desculpas pelos desdobramentos da operação.
Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., Lula respondeu “profundamente” quando questionado sobre a persistência de sua mágoa. Ele reiterou sua convicção de que foi alvo de uma perseguição política orquestrada por membros da Lava Jato. O presidente também comentou que nunca considerou deixar o Brasil para evitar a prisão, contrastando sua postura com a de outros que, segundo ele, “fogem” para o exterior, em uma alusão indireta aos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Lula relatou ter recusado a possibilidade de prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, justificando a recusa por sua inocência. Ele reconheceu a existência de casos de corrupção durante seus governos, mas enfatizou que os envolvidos foram devidamente investigados e punidos. “No Brasil e no mundo, houve, há e haverá corrupção. Mas, falando de mim, a acusação era sempre de que ‘o Lula sabia’. Eu não poderia assumir uma culpa que eu não tinha”, declarou.
Ao relembrar os momentos mais difíceis de sua trajetória política, o presidente classificou a Lava Jato como uma de suas maiores frustrações e voltou a acusar a força-tarefa de ter agido com motivações políticas. “Eu nunca imaginei que eu pudesse ser vítima de uma sórdida conspiração feita pelo Ministério Público e por um juiz. A minha sorte foi que eu logo intui que aquilo era muito mais um esquema político. Eles queriam o poder”, afirmou.
Para Lula, sua perseverança foi um fator crucial para a reversão das condenações. “Graças a Deus, pela minha perseverança e minha vontade de brigar. Só eu acreditava que ganharia aquilo”, concluiu, ressaltando a importância de sua própria crença na superação do que considera ter sido uma perseguição judicial e política.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo podcast Inteligência Ltda. e reportagens sobre o tema.
