Agência dos EUA denuncia migrantes ao ICE, resultando em milhares de prisões
Agência dos EUA denuncia migrantes ao ICE, resultando em milhares de prisões

Agência dos EUA denuncia migrantes ao ICE, resultando em milhares de prisões

Agência de proteção a crianças migrantes serviu como fonte para prisões sob Trump O Escritório de Reassentamento de Refugiados (ORR), agência federal criada para abrigar crianças migrantes desacompanhadas que chegam à fronteira dos Estados Unidos, compartilhou mais de 460 mil informações com o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) durante o segundo mandato […]

Resumo

Agência de proteção a crianças migrantes serviu como fonte para prisões sob Trump

O Escritório de Reassentamento de Refugiados (ORR), agência federal criada para abrigar crianças migrantes desacompanhadas que chegam à fronteira dos Estados Unidos, compartilhou mais de 460 mil informações com o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) durante o segundo mandato do ex-presidente Donald Trump. Esses dados, obtidos pela Reuters, indicam que a agência, historicamente separada da fiscalização imigratória, foi instrumentalizada para identificar e prender mais de 12 mil pessoas, incluindo pais e familiares de crianças sob seus cuidados. A prática reverteu salvaguardas que garantiam a reunificação familiar sem medo de deportação.

A mudança de política transformou um programa de bem-estar infantil em uma ferramenta para aumentar as deportações, segundo críticos. Jen Smyers, ex-diretora-adjunta do ORR no governo Biden, afirmou que as salvaguardas foram “completamente revertidas”, permitindo que o ORR fosse usado para “realizar mais deportações”. Em resposta, o ORR declarou que não participa de apreensões e direcionou as perguntas sobre fiscalização ao Departamento de Segurança Interna (DHS), que confirmou o fornecimento de “pistas investigativas” ao ICE para localizar crianças com responsáveis “não verificados”, incluindo indivíduos com antecedentes criminais.

As informações foram reunidas a partir de dados internos do governo obtidos pela Reuters, além de entrevistas com famílias migrantes, defensores legais e funcionários do governo.

O custo humano da nova política

A história de Aurora, 24 anos, e sua filha de 6 anos ilustra o impacto direto dessa política. Após chegar sozinha à fronteira americana, a menina passou mais de seis meses em um abrigo do ORR enquanto Aurora, já nos EUA, trabalhava para tirá-la de lá. Meses depois de se reencontrarem, mãe e filha foram detidas pelo ICE e enviadas a um centro de detenção familiar no Texas. Aurora, que buscava trabalho e segurança, forneceu extensa documentação e um teste de DNA para provar sua responsabilidade, sem antecedentes criminais, mas o processo de triagem sob Trump incluiu etapas adicionais, aumentando o tempo de detenção das crianças.

O tempo médio que crianças desacompanhadas passaram sob custódia do ORR saltou de 30 dias no ano fiscal de 2024 para 194 dias em junho de 2026. O ORR justifica a triagem ampliada como uma medida de proteção às crianças. No entanto, o DHS confirmou a detenção de Aurora, alegando que ela admitiu ter sido “contrabandeada ilegalmente através da fronteira”. Após três semanas detidas, ela e a filha foram liberadas, mas Aurora recebeu uma tornozeleira eletrônica e aguarda julgamento em um tribunal de imigração, com medo constante de deportação e com a filha ainda sofrendo com traumas da detenção.

Famílias separadas e o medo da deportação

Outro caso é o de Marleny, que fugiu da violência na Guatemala com seu filho mais novo. Seu filho mais velho, Victor, juntou-se a eles posteriormente. Após quatro meses sob custódia do ORR, Victor, prestes a completar 18 anos, foi liberado. Contudo, dois meses depois, Marleny e seu companheiro foram presos pelo ICE. O DHS alegou que a prisão do companheiro de Marleny visava cumprir um mandado de busca criminal, mas não detalhou a natureza do suposto crime nem como foi localizado. A cena da prisão traumatizou Marleny, lembrando-a da violência deixada para trás.

Victor, agora responsável por seu irmão mais novo, perdeu sua audiência judicial após a prisão da mãe e enfrenta uma ordem de deportação. Ele busca um advogado para reabrir seu caso de imigração, determinado a “continuar seguindo em frente”. Advogados de imigração relatam ter visto “tantos responsáveis presos e prisões colaterais junto com eles”, evidenciando o alcance devastador dessas políticas na vida de famílias migrantes.

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