Carlos Bolsonaro rebate acusações e aponta para suposta rede de perfis falsos de esquerda
O ex-vereador do Rio de Janeiro e pré-candidato do PL ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro, utilizou sua conta na rede social X, anteriormente Twitter, para comentar a existência de uma suposta rede de perfis falsos atuando em redes sociais com o objetivo de atacar a direita. Em sua publicação, ele relembrou as acusações de que teria comandado um “gabinete do ódio” durante a gestão de seu pai, Jair Bolsonaro, e voltou a negar veementemente tal narrativa.
“Durante todos esses anos, fui acusado e apontado como responsável por uma suposta ‘milícia digital’ ou pelo chamado ‘gabinete do ódio’, que nunca existiram. NUNCA. (…) Tudo isso não passou de uma narrativa criada por adversários políticos do presidente @jairbolsonaro como forma de tentar descredibilizar a força orgânica demonstrada por suas redes sociais”, escreveu Carlos Bolsonaro. A declaração surge em meio a denúncias protocoladas pelo PL na Justiça Eleitoral sobre o uso de contas temporárias e de baixa audiência orgânica para impulsionar mensagens contrárias a candidaturas de direita.
As informações foram reunidas a partir de declarações de Carlos Bolsonaro em sua conta na rede social X.
A tática da “projeção” na política
Ao comentar as denúncias de perfis fantasmas ligados à esquerda, Carlos Bolsonaro ecoou um antigo mote da comunicação política: “O velho lema da esquerda parece se repetir: ‘acuse-os do que você faz, chame-os do que você é’”. A menção se refere à descoberta de que 51 páginas, com características de “perfis fantasmas”, teriam promovido cerca de 4.607 anúncios impulsionados nos primeiros meses do ano, acumulando aproximadamente 250 milhões de visualizações. Paralelamente, dados indicam que o governo Lula investiu mais de R$ 20 milhões em anúncios na Meta em um período de três meses.
Carlos Bolsonaro, conhecido por sua proximidade com as redes sociais do ex-presidente Jair Bolsonaro e pela criação de sua identidade digital, foi citado pelo delator Mauro Cid, no contexto da investigação sobre a trama do golpe de Estado, como responsável por um grupo produtor de conteúdo ideológico, o “gabinete do ódio”. Ele sempre negou tais alegações. A emergência de uma rede de influenciadores de esquerda denominada “Porta-Vozes do Lula” motivou novas cobranças por parte de Carlos Bolsonaro em relação a investigações sobre a articulação da esquerda na conquista de “corações e mentes” nas plataformas digitais.
Domínio da direita nas redes sociais e a origem da frase atribuída a Goebbels
As redes sociais são um campo onde a direita tem demonstrado forte influência. Um estudo recente apontou Nikolas Ferreira (PL-MG) como o político mais influente no Instagram, seguido por Michelle Bolsonaro. Figuras de esquerda como a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) aparecem em posições inferiores, e o presidente Lula em 11º lugar. A desvantagem é admitida por nomes proeminentes da esquerda, que expressam a necessidade de “virar o jogo”.
A frase “acuse-os do que você faz, chame-os do que você é” é frequentemente atribuída a Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Adolf Hitler, ou a Vladimir Lênin. No entanto, segundo o site de checagem Snopes, não há registro histórico que comprove essa autoria, e o mote não possui uma origem definida. Sua vinculação teórica mais próxima seria com o conceito de projeção psicológica na psicanálise de Sigmund Freud, quando aplicada à propaganda política.
