Screenshot-2026-04-15-185612
O arrependimento tardio de quem deu aval ao arbítrio do STF

O arrependimento tardio de quem deu aval ao arbítrio do STF

O eco do silêncio e a voz do arrependimento Frases como “acatar a palavra derradeira” do STF, a defesa de uma “democracia pujante e plural” e a garantia de que a Corte saberia “enquadrar” questionadores do processo eleitoral eram mantras repetidos por diversas personalidades públicas. Na época, justificavam as ações do ministro Alexandre de Moraes, […]

Resumo

O eco do silêncio e a voz do arrependimento

Frases como “acatar a palavra derradeira” do STF, a defesa de uma “democracia pujante e plural” e a garantia de que a Corte saberia “enquadrar” questionadores do processo eleitoral eram mantras repetidos por diversas personalidades públicas. Na época, justificavam as ações do ministro Alexandre de Moraes, tratando críticas à censura como busca por “clique fácil” e defendendo que o magistrado “apenas exercia suas funções”. Hoje, o cenário é outro. Uma parcela dessas mesmas figuras públicas, ainda que timidamente, lamenta ter concedido o que chamam de “carta branca” ao Supremo, especialmente a Alexandre de Moraes, permitindo atropelos ao devido processo legal e a liberdades individuais.

Uma reportagem recente da Gazeta do Povo, assinada por Omar Godoy, expôs a lista desses “arrependidos tardios”. O programa Ouça Essa, ao analisar o tema, destaca que essa mudança de discurso está longe de um sincero “mea culpa”. A análise foca nas implicações para o país de tantos terem embarcado na narrativa de que tudo se justificava diante da ameaça de um “mal maior” à democracia, personificado na figura de Jair Bolsonaro e seus apoiadores. Figuras que antes deram aval, ou optaram por um silêncio conveniente, agora tentam se distanciar do que ajudaram a construir. No entanto, uma parte significativa da sociedade ainda endossa a “juristocracia” em curso.

As informações foram reunidas a partir de reportagens da Gazeta do Povo e análises veiculadas no programa Ouça Essa.

Um rastro de justificativas e silêncios

A lista de personalidades que, em algum momento, “passaram pano”, justificaram ou ignoraram ações controversas do STF é extensa. Inclui nomes como os da OAB, Hamilton Mourão, Ciro Gomes, Oriovisto Guimarães, Jorge Kajuru, Arthur Lira, Eduardo Leite e Felipe Neto. Em nome da suposta luta contra um “mal maior”, aceitaram o que hoje muitos consideram o pior dos males: um Supremo que se posiciona como infalível e inimputável, acima da Constituição e das liberdades fundamentais. As ações criticadas incluem prisões preventivas prolongadas, censura a jornalistas, parlamentares e cidadãos, e a condenação genérica de manifestantes do 8 de janeiro sem a devida individualização de condutas.

O custo da “carta branca” e a conveniência eleitoral

O ponto de inflexão para muitos parece ter sido as revelações sobre o contrato de R$ 129 milhões da esposa de Alexandre de Moraes e as conversas suspeitas do ministro com o dono do Banco Master, no dia de sua prisão. Esses eventos tornaram insustentável o apoio irrestrito ao magistrado. Contudo, o arrependimento manifestado por muitos é visto, em parte, como conveniência eleitoral, e não como uma genuína mudança de consciência. A dificuldade em admitir o erro é agravada pelo receio de confrontar diretamente o ministro ou seus colegas de Corte, que se mostram cada vez mais reativos a críticas, a ponto de validarem o aumento de punições para crimes contra sua própria honra.

A “carta branca” concedida a Moraes teve um custo alto, cujas consequências ainda serão sentidas por muitos anos. A necessidade de impor limites ao arbítrio, acabar com a censura e restabelecer o equilíbrio entre os poderes não será alcançada por meio de pedidos de desculpas insinceros. Arrepender-se pode ser fácil, mas corrigir o dano causado é um desafio complexo. Resta saber quantos desses “alexandristas arrependidos” estarão dispostos a agir efetivamente para reverter o quadro, especialmente aqueles que buscam reeleição nas próximas eleições de outubro.

Tags:

Veja Também

Governo Lula pede à PF investigação de ameaças de morte contra deputada eleita por MG

Governo Lula pede à PF investigação de ameaças de morte contra deputada eleita por MG

Governo Lula mira cargos do Centrão que apoiaram Bolsonaro

Governo Lula mira cargos do Centrão que apoiaram Bolsonaro

Copiloto da Flydubai Planejou Ataque ao Estilo 11 de Setembro Contra Israel, Diz Procurador

Rússia descarta peste em contatos de funcionária morta por pneumonia

Pacientes com dengue em UTIs do SUS chegam em estado mais grave que na rede privada, aponta estudo

Pacientes com dengue em UTIs do SUS chegam em estado mais grave que na rede privada, aponta estudo