Flávio Bolsonaro acusa Alexandre de Moraes de “enterrar vivo” o ex-presidente Jair Bolsonaro após novas restrições
O pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, usou forte linguagem para criticar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ampliou as restrições impostas à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em um vídeo divulgado nesta noite, Flávio afirmou que seu pai foi “enterrado vivo” e que as medidas são “ilegais, desproporcionais, covardes e cruéis”.
As novas determinações de Moraes impedem Bolsonaro de receber visitas por 30 dias e o proíbem de realizar qualquer manifestação de cunho político-eleitoral até o fim das eleições. A justificativa para o endurecimento das medidas foi a divulgação, nas redes sociais, de uma carta do ex-presidente endereçada a Flávio, o que o ministro considerou uma violação das cautelares impostas pela Corte. O senador acusou Moraes de tentar interferir nas eleições presidenciais por receio do retorno de Bolsonaro ao poder, qualificando a ação como “vingança” e não “justiça”.
Flávio Bolsonaro também expressou preocupação com o que chamou de “falsa democracia vigente”, alertando que um “tirano não retrocede nos poderes que ele próprio se concedeu”. A decisão de Moraes, detalhada em um despacho de 18 páginas, também proibiu as visitas de Flávio ao ex-presidente por 90 dias.
Aliados e familiares de Bolsonaro ecoam críticas a Moraes
As reações à decisão de Alexandre de Moraes se estenderam aos demais filhos e aliados políticos de Jair Bolsonaro. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro questionou a legalidade das restrições, citando a Constituição para argumentar que mesmo em situações de estado de defesa, a incomunicabilidade do preso é proibida. Ele também minimizou a alegação de incomunicabilidade feita por Moraes, que citou a convivência diária do ex-presidente com familiares e funcionários em sua residência.
Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, relatou que a ordem de Moraes de proibir visitas de todos os filhos ao pai foi proferida “em questão de segundos” após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Já Jair Renan, pré-candidato a deputado federal, comparou a situação do pai com a prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018, alegando que Lula recebia visitas e era lançado candidato da cadeia, enquanto seu pai não pode receber um abraço de um filho em casa, criticando uma “régua que muda conforme o sobrenome”.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), acusou o ministro de “transformar medidas judiciais em instrumentos de silenciamento político”, mas afirmou que “ideias não se aprisionam” e que nenhum decisão romperá o vínculo entre Bolsonaro e seus eleitores. O deputado federal André Fernandes (PL-CE) ironizou a situação, chamando-a de “democracia pujante” para o período eleitoral, enquanto o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), declarou que as restrições violam “todos os direitos humanos ao maior presidente que a República Federativa do Brasil já teve”, conclamando a eleição de Flávio Bolsonaro.
As informações foram reunidas a partir de declarações divulgadas pelo senador Flávio Bolsonaro e outros aliados políticos.
