Operação Compliance Zero mira avanço contra esquema de R$ 52 bilhões
A Polícia Federal (PF) planeja dar continuidade e intensificar as investigações da operação Compliance Zero, que apura um escândalo financeiro bilionário envolvendo o Banco Master e outras instituições do grupo, como o Will Bank. A expectativa é que a operação possa atingir até 60 fases, com foco em desarticular redes de corrupção e lavagem de dinheiro que causaram um rombo estimado em R$ 52 bilhões. Este valor, considerado o maior de um escândalo bancário na história do Brasil, foi assumido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), consumindo quase metade de seus recursos disponíveis para socorrer investidores.
As informações foram apuradas pela equipe de reportagem da Gazeta do Povo.
Calendário eleitoral não freará investigações
Apesar da proximidade das eleições de 2026, a cúpula da Polícia Federal assegura que as investigações da Compliance Zero não serão interrompidas. Embora a legislação brasileira proíba a prisão de candidatos nos 15 dias que antecedem o pleito, exceto em casos de flagrante delito, outras medidas investigativas como buscas, apreensões, bloqueios de bens e quebras de sigilo bancário continuam autorizadas pela Justiça. A estratégia da PF é concentrar esforços em coletar provas técnicas robustas, a fim de evitar qualquer alegação de interferência política nas apurações.
Alvos e ramificações da rede investigada
Com base em um extenso volume de documentos e dados eletrônicos apreendidos, a PF direciona suas próximas etapas de investigação para operadores financeiros, empresas de fachada e ramificações ligadas a fundos de previdência de âmbitos estadual e municipal. A rede de influência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, figura central no esquema, é apontada como tendo alcançado diversos núcleos políticos em Brasília, com menções a senadores como Ciro Nogueira e Jaques Wagner, além de familiares de Vorcaro que já se encontram presos.
Ministros do STF fora do escopo atual
Atualmente, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não estão formalmente sob investigação na operação Compliance Zero. Embora indícios de supostas conexões de magistrados com o grupo investigado tenham surgido, qualquer apuração contra membros da Corte exigiria autorização do próprio STF. Fontes próximas ao caso indicam que não há movimentações em curso para iniciar inquéritos contra magistrados ou seus parentes no âmbito desta operação.
Previsão de longa duração para a investigação
Investigadores estimam que a operação Compliance Zero ainda tem um longo caminho pela frente, com a expectativa de que os trabalhos se estendam por muitos meses, possivelmente ultrapassando o ano de 2027. Acredita-se que apenas cerca de 20% do cronograma planejado tenha sido executado até o momento. O vasto volume de dados em nuvem e documentos físicos apreendidos tem gerado novas linhas de apuração de forma contínua, configurando um efeito cascata que consolida a operação como uma das maiores investigações de corrupção e lavagem de dinheiro já realizadas no país.
