Aumento expressivo nas apreensões de canetas emagrecedoras ilegais acende o alerta sobre os perigos para a saúde pública.
O número de apreensões de canetas emagrecedoras fabricadas no Paraguai, que são proibidas de entrar no Brasil, disparou em 2026. Se entre maio e dezembro de 2025 foram registradas 7.500 apreensões, o número saltou para 115 mil até o momento em 2026, evidenciando a dificuldade das autoridades em controlar o fluxo desses produtos no país. A Receita Federal e a Polícia Federal admitem que a fiscalização é insuficiente para conter a entrada massiva de itens contrabandeados.
A facilidade de acesso e os preços, em média, mais baixos dos produtos paraguaios contribuem para sua disseminação. Entidades médicas alertam para os riscos potenciais à saúde associados ao uso de medicamentos que não passaram pela avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mesmo quando contêm princípios ativos autorizados no Brasil, a falta de controle de qualidade e origem dos produtos fabricados no Paraguai pode expor os consumidores a substâncias perigosas, incluindo algumas experimentais, como constatado em apreensões recentes.
O podcast “Café da Manhã” desta quinta-feira (16) aprofunda a discussão sobre a composição dessas canetas paraguaias e os mecanismos que levaram à sua popularização entre pacientes em busca de soluções para perda de peso. O endocrinologista Júliio Américo Batatinha, doutorando no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, participa do episódio para detalhar os riscos do uso desses produtos e analisar como as canetas emagrecedoras se tornaram parte da rotina de medicamentos de muitos brasileiros.
O programa de áudio, uma parceria da Folha com o Spotify, está disponível na plataforma de streaming. O episódio pode ser acessado gratuitamente mediante cadastro. O “Café da Manhã” é publicado de segunda a sexta-feira, com apresentação dos jornalistas Magê Flores e Gustavo Simon, e produção de Gustavo Luiz, Jéssica Cruz e Laura Lewer, com edição de som de Raphael Concli.
