PL pede ao TSE que anule nova pesquisa da AtlasIntel sobre eleição presidencial
PL pede ao TSE que anule nova pesquisa da AtlasIntel sobre eleição presidencial

PL pede ao TSE que anule nova pesquisa da AtlasIntel sobre eleição presidencial

Partido Liberal (PL) entrou com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impugnar nova pesquisa eleitoral divulgada pela AtlasIntel. A legenda alega que o instituto descumpriu prazos e cometeu falhas metodológicas em levantamento sobre a eleição presidencial. Esta é a segunda vez que o PL tenta barrar pesquisas da empresa. O Partido Liberal (PL), sigla […]

Resumo

Partido Liberal (PL) entrou com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impugnar nova pesquisa eleitoral divulgada pela AtlasIntel. A legenda alega que o instituto descumpriu prazos e cometeu falhas metodológicas em levantamento sobre a eleição presidencial. Esta é a segunda vez que o PL tenta barrar pesquisas da empresa.

O Partido Liberal (PL), sigla do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, apresentou nesta quarta-feira (15) um pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impugnar a pesquisa divulgada no dia 1º de julho pelo Instituto AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg (BR-04582/2026). A ação representa a segunda tentativa da legenda de suspender um levantamento da empresa, após uma decisão anterior do ministro Nunes Marques, presidente do TSE, que suspendeu outra pesquisa (BR-06939/2026) por associar o senador a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

No novo pedido, o PL acusa a AtlasIntel de reincidir em práticas que, segundo o partido, comprometem a transparência e a auditabilidade dos levantamentos de intenção de voto para o cargo de Presidente da República. A principal alegação é que o instituto não teria entregue, dentro do prazo legal, o arquivo de complementação territorial e demográfica. Este documento deveria detalhar os municípios, bairros e setores censitários onde as 5 mil entrevistas foram realizadas.

A legenda classifica a situação como uma “deliberada opacidade” que impede a fiscalização pública da execução da amostra. Para o PL, a pesquisa apresenta “vícios metodológicos” no questionário aplicado, com ambiguidade nas faixas de renda avaliadas e distorção nos registros de escolaridade. O partido também alega haver indícios de que o instituto utiliza bases de dados coletadas antes do período oficial de registro da pesquisa ou mantém formulários ativos continuamente, o que violaria a regra de que a coleta de dados eleitorais só pode ocorrer dentro do intervalo estritamente declarado à Justiça Eleitoral – neste caso, entre 25 e 30 de junho de 2026.

CEO da AtlasIntel nega irregularidade e aponta falha no sistema do TSE

Em resposta às acusações, o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou que a nova impugnação apresentada pelo PL “está fundamentada em um erro do sistema do TSE”, pois “o arquivo de detalhamento geográfico de municípios e bairros foi devidamente submetido dentro do prazo legal”. Roman lamentou as tentativas de descredibilização do trabalho da empresa e reiterou que a AtlasIntel “não mudará sua técnica nem alterará seus estudos por conta de qualquer tipo de pressão política, econômica ou judicial”.

A AtlasIntel, em nota, declarou que a “alegação não procede” e que as evidências indicam um problema técnico no sistema do TSE. Segundo a empresa, embora o arquivo tenha sido corretamente enviado e permaneça disponível na área restrita do sistema, ele deixou de aparecer na visualização pública do registro, o que seria incompatível com o funcionamento esperado da plataforma.

O partido requer que a pesquisa BR-04582/2026 seja considerada não registrada, com aplicação de multa no grau máximo, equivalente a 100 mil UFIRs, devido à gravidade e ao alcance nacional do levantamento. A equipe jurídica da pré-campanha de Flávio Bolsonaro reafirmou o “vício formal agudo que macula o registro” da pesquisa e solicitou que o instituto apresente uma “certificação cartorial que comprove sua tentativa de anexaão dos documentos legais dentro do prazo”.

Proposta de novas regras para pesquisas eleitorais

Diante do que considera uma “prática que vem se normalizando”, o PL sugeriu formalmente ao ministro Nunes Marques, relator de um caso anterior envolvendo a mesma empresa, o aprimoramento das resoluções do TSE. O partido propõe que uma pesquisa só possa ser publicada após a juntada efetiva de todos os arquivos obrigatórios no sistema do TSE, e não apenas pelo registro formal. Além disso, solicitou que o conceito de coleta passe a abranger formalmente as atividades de captação e recrutamento de entrevistados em redes sociais, restringindo tais práticas ao período registrado.

Histórico de contestações e julgamento em andamento

A representação atual tem como alvo a pesquisa BR-04582/2026, registrada em 25 de junho de 2026 e divulgada em 1º de julho. A AtlasIntel ouviu 4.999 pessoas por meio de formulário eletrônico entre 26 e 30 de junho de 2026, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%.

Em 8 de junho, Nunes Marques suspendeu a pesquisa BR-06939/2026, alegando indícios de contaminação dos resultados. A suspensão ocorreu após a AtlasIntel apresentar aos entrevistados um áudio atribuído ao senador, divulgado pelo site The Intercept Brasil. O ministro defendeu que alguns quesitos poderiam “prejudicar a espontaneidade” das respostas. O julgamento dessa liminar foi interrompido por um pedido de vista da ministra Estela Aranha e ainda não tem data para ser retomado. A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) se manifestou contra a decisão liminar de Nunes Marques em 22 de junho.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Partido Liberal e pelo Instituto AtlasIntel.

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