Endividamento Familiar Atinge Marco Histórico no Brasil
O endividamento das famílias brasileiras alcançou um patamar expressivo em junho, chegando a 81,6% dos lares, conforme dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Paralelamente, a inadimplência, que representa a dificuldade em honrar compromissos financeiros, atingiu 29,9% no mesmo período. Embora os índices permaneçam estáveis em relação a maio, eles superam os registrados em junho do ano anterior, quando eram de 78,4% e 29,5%, respectivamente.
Apesar da elevação em comparação com 2025, a interrupção da tendência de alta observada nos meses anteriores é vista por especialistas como um possível sinal de desaceleração do problema. José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, destacou que a estabilização da inadimplência e a melhora nos prazos de pagamento em junho proporcionam um alívio ao consumidor. Ele ressaltou, contudo, a importância da continuidade dos efeitos de programas como o Desenrola e da redução da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para consolidar essa melhora.
Mudanças na Composição das Dívidas
A pesquisa também aponta uma alteração na percepção e na composição das dívidas. O percentual de famílias que se consideram “pouco endividadas” aumentou de 33,3% para 34,2%. Em contrapartida, o grupo classificado como “muito endividado” apresentou uma leve ascensão, passando de 17% para 17,2%. Já a parcela de consumidores que declara não ter condições de pagar suas dívidas diminuiu ligeiramente, caindo de 12,3% em maio para 12,2% em junho.
Tadros alertou que, sem um afrouxamento contínuo dos juros, o esforço das famílias para regularizar suas pendências financeiras pode ser prejudicado pelo encarecimento do crédito, o que, por sua vez, obstrui a retomada do comércio. O tempo médio de atraso nas contas também registrou uma redução pelo segundo mês consecutivo, situando-se em 64,8 dias. O comprometimento médio da renda familiar com o pagamento de parcelas manteve-se estável em 29,3%.
Perspectivas e Desafios Futuros
Entre os consumidores que possuem dívidas, 55,8% destinam entre 11% e 50% de sua renda mensal para quitar parcelas. O percentual de famílias com dívidas contratadas por prazos superiores a um ano permaneceu inalterado em 33,3%. Apesar da estabilidade observada em junho, a CNC projeta um leve crescimento no endividamento familiar nos próximos meses. Essa previsão considera o atual patamar da taxa Selic, o ritmo esperado para a redução dos juros pelo Copom e as incertezas macroeconômicas, incluindo flutuações no preço do petróleo.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
