Associação brasileira 'Eu Decido' apoia ação de jovem com transtornos mentais em busca de suicídio assistido na Colômbia
Associação brasileira ‘Eu Decido’ apoia ação de jovem com transtornos mentais em busca de suicídio assistido na Colômbia

Associação brasileira ‘Eu Decido’ apoia ação de jovem com transtornos mentais em busca de suicídio assistido na Colômbia

Associação brasileira ‘Eu Decido’ apoia ação de jovem com transtornos mentais em busca de suicídio assistido na Colômbia A associação brasileira Eu Decido anunciou que ingressará como amicus curiae na ação judicial que busca garantir o primeiro caso de suicídio assistido legal na Colômbia. O julgamento, previsto para os próximos oito meses, trata do caso […]

Resumo

Associação brasileira ‘Eu Decido’ apoia ação de jovem com transtornos mentais em busca de suicídio assistido na Colômbia

A associação brasileira Eu Decido anunciou que ingressará como amicus curiae na ação judicial que busca garantir o primeiro caso de suicídio assistido legal na Colômbia. O julgamento, previsto para os próximos oito meses, trata do caso de Catalina Giraldo, uma psicóloga de 30 anos que sofre de transtorno depressivo maior, transtorno de personalidade borderline e transtorno de ansiedade. Ela busca acesso ao procedimento, que foi descriminalizado na Colômbia em 2022 pela Corte Constitucional, mas enfrenta obstáculos devido à sua condição de saúde mental.

Catalina Giraldo descreveu seu sofrimento como uma sensação de vazio e dor física, além de crises de ansiedade intensa. “É um inferno sentir o coração acelerado, não conseguir respirar direito, sentir as mãos tremendo, querer me machucar, querer me ferir, e lutar contra isso o tempo todo”, relatou em março à emissora colombiana Noticias Caracol. Ela busca uma forma de “desligar essas vozes” e o desconforto constante que a acompanha.

O suicídio assistido difere da eutanásia pelo fato de que o próprio paciente administra a medicação letal, com acompanhamento médico. Na América Latina, apenas Equador e Colômbia permitem o procedimento. Embora a Corte Constitucional colombiana tenha descriminalizado o suicídio assistido em 2022, a falta de regulamentação específica pelo Legislativo ou pelo Ministério da Saúde tem gerado impasses, como no caso de Catalina. A entidade de saúde responsável negou o pedido de eutanásia, argumentando que ela não possui uma doença grave e incurável, e o suicídio assistido não foi autorizado por falta de regulamentação.

Argumentos pela regulamentação e o papel da Eu Decido

A Eu Decido atuará como amicus curiae para argumentar que a ausência de regulamentação específica não pode ser um impedimento para a tramitação do caso. A associação defende que o Judiciário não deve substituir o Legislativo, mas também não pode permitir que a omissão legislativa perpetue a falta de clareza e mantenha a lei em um estado de ineficácia prática.

Luciana Dadalto, presidente da Eu Decido, destaca a importância do caso envolver questões de saúde mental, um ponto que não é explicitamente abordado nas decisões da Corte Constitucional colombiana. A discussão central é se pessoas com doenças mentais intratáveis, incuráveis e que geram grande sofrimento estão amparadas pelo direito à morte assistida. Dadalto ressalta que o debate no Brasil ainda está em estágio inicial, e a via judicial tem se mostrado menos burocrática na América Latina em comparação com o conservadorismo legislativo.

Em março, Catalina Giraldo afirmou que sua busca pelo suicídio assistido é um ato de amor por si mesma e, acima de tudo, por sua família, visando aliviar o sofrimento de seus entes queridos. O caso colombiano pode abrir precedentes importantes para a discussão sobre morte assistida em casos de sofrimento psíquico intenso na região.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela emissora colombiana Noticias Caracol e pela associação brasileira Eu Decido.

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