Inverno agrava problemas respiratórios: entenda os fatores e como se proteger
Inverno agrava problemas respiratórios: entenda os fatores e como se proteger

Inverno agrava problemas respiratórios: entenda os fatores e como se proteger

O frio traz consigo mais do que casacos e bebidas quentes; para muitos, ele representa um período de maior sofrimento com alergias e problemas respiratórios. A chegada do inverno, no entanto, não é a causa direta do agravamento de condições como rinite, sinusite e asma. Especialistas explicam que é a combinação de diversos fatores típicos […]

Resumo

O frio traz consigo mais do que casacos e bebidas quentes; para muitos, ele representa um período de maior sofrimento com alergias e problemas respiratórios. A chegada do inverno, no entanto, não é a causa direta do agravamento de condições como rinite, sinusite e asma. Especialistas explicam que é a combinação de diversos fatores típicos da estação que favorece o surgimento ou a piora dos sintomas.

A alergista Fátima Rodrigues Fernandes, do Iamspe, destaca que o inverno reúne um conjunto de circunstâncias que propiciam o aparecimento ou a intensificação de quadros respiratórios crônicos. Um dos principais fatores é a tendência das pessoas a passarem mais tempo em ambientes fechados e com pouca ventilação, segundo a alergista e imunologista Fernanda Soubak, da rede INKI. Essa maior permanência em locais fechados eleva a exposição a alérgenos comuns, como ácaros, pelos de animais e mofo, muitas vezes presentes em roupas de frio guardadas por muito tempo.

O clima seco, característico de muitas regiões durante o inverno, também contribui significativamente. A redução da umidade do ar torna a mucosa nasal mais sensível a irritantes externos, como fumaça e perfumes. Georgiana Hueb, otorrinolaringologista do Hospital Sírio-Libanês, acrescenta que, em grandes centros urbanos, a baixa umidade vem acompanhada de uma maior concentração de poluentes devido à inversão térmica. Esse cenário compromete a capacidade do nariz de filtrar partículas, resultando em um aumento de espirros, coriza e obstrução nasal. Para agravar, o inverno é também a estação de maior circulação de vírus respiratórios, o que pode levar à confusão entre crises alérgicas e resfriados ou gripes, ou mesmo à evolução de uma rinite para uma infecção viral.

Neste Dia Mundial da Alergia (8 de julho), é fundamental reconhecer que a rinite alérgica não deve ser subestimada. Afetando entre 10% e 40% da população mundial, a condição tem um impacto substancial na qualidade de vida, prejudicando o sono e, consequentemente, o desempenho escolar e profissional. Estudos indicam que uma parcela significativa de pacientes com rinite, entre 15% e 38%, pode desenvolver asma alérgica.

Diferenciando Alergias de Infecções

A rinite alérgica é uma resposta exagerada do sistema imunológico a substâncias inofensivas para a maioria das pessoas, como ácaros, poeira, pólen e pelos de animais. Os sintomas típicos incluem espirros repetidos, coceira no nariz, olhos e garganta, congestão nasal e secreção clara. Em contrapartida, gripes e resfriados são infecções causadas por vírus. O resfriado geralmente se manifesta com coriza, congestão e dor de garganta, enquanto a gripe costuma ser mais severa, acompanhada de febre, dores no corpo, cansaço intenso e mal-estar, além dos sintomas respiratórios. A médica Georgiana Hueb ressalta que, apesar das semelhanças, as causas e os tratamentos são distintos e requerem acompanhamento médico especializado.

Higiene e Cuidados Ambientais Essenciais

Para um controle eficaz dos sintomas alérgicos, a lavagem nasal com soro fisiológico é amplamente recomendada por especialistas. Esse procedimento ajuda a remover secreções, alérgenos e microrganismos, além de manter a mucosa hidratada e auxiliar no mecanismo natural de limpeza das vias aéreas. A técnica varia conforme a idade: bebês necessitam de pequenos volumes aplicados com conta-gotas, enquanto crianças maiores e adultos podem usar volumes maiores, sempre com irrigação suave para garantir conforto e segurança.

O controle ambiental também desempenha um papel crucial na prevenção. Manter os ambientes ventilados e arejados é essencial. Recomenda-se a higienização semanal de roupas de cama com água quente e a redução de objetos que acumulam poeira, como tapetes e cortinas pesadas. Em regiões secas, a hidratação e a lavagem nasal são ainda mais importantes, enquanto em áreas litorâneas, o controle de mofo deve ser priorizado. Em ambientes internos, especialmente no campo, a poeira e a terra podem agravar os sintomas, reforçando a necessidade de limpar superfícies e pisos com pano úmido para evitar a suspensão de partículas no ar.

Tratamento Contínuo e Sinais de Alerta

A principal estratégia para lidar com alergias é manter a doença sob controle ao longo do ano, e não apenas tratar os sintomas quando eles surgem. Pacientes com rinite devem seguir rigorosamente o tratamento prescrito, que pode incluir o uso de corticosteroides nasais e a manutenção de uma boa hidratação. Para aqueles que também sofrem de asma, o tratamento de controle regular é fundamental, pois a coexistência dessas condições é comum, e o descontrole de uma pode impactar negativamente a outra.

Embora a maioria dos episódios de rinite possa ser gerenciada em casa ou em consultas ambulatoriais, alguns sinais indicam a necessidade de procurar atendimento médico de emergência. Dificuldade para respirar ou falta de ar intensa são indicativos de que se deve buscar um serviço de emergência imediatamente. É crucial manter a vacinação em dia, especialmente contra a gripe, e evitar a automedicação, que pode mascarar diagnósticos mais graves. Sintomas nasais persistentes por mais de 10 dias, frequência muito alta ou prejuízos significativos ao sono e à qualidade de vida são motivos para consultar um alergista ou otorrinolaringologista. Inchaços na face, lábios, língua ou garganta podem sinalizar uma reação alérgica grave (anafilaxia) e exigem ação imediata. Febre alta persistente associada a dor intensa na face, inchaço ao redor dos olhos ou alterações visuais podem indicar complicações de sinusite. Sintomas como chiado no peito, respiração rápida, opressão torácica, dificuldade para falar, lábios arroxeados, sonolência excessiva, confusão mental ou desmaio também são sinais de alerta que requerem busca rápida por atendimento de emergência.

Tags:

Veja Também

Cortes em Ajuda Humanitária Deixam 1 Milhão de Mulheres e Meninas Sem Apoio Essencial, Alerta ONU

Cortes em Ajuda Humanitária Deixam 1 Milhão de Mulheres e Meninas Sem Apoio Essencial, Alerta ONU

Teresa Leitão assume liderança do governo no Senado em meio a desafios de articulação

Teresa Leitão assume liderança do governo no Senado em meio a desafios de articulação

Anvisa atualiza regras para vacinas contra Covid-19 e foca em variantes

Anvisa atualiza regras para vacinas contra Covid-19 e foca em variantes

Comer Hot-Dog: O Esporte Que Rouba a Cena da Copa do Mundo

Comer Hot-Dog: O Esporte Que Rouba a Cena da Copa do Mundo

Anac proíbe cobrança por assentos adjacentes a responsáveis para menores de 16 anos

Anac proíbe cobrança por assentos adjacentes a responsáveis para menores de 16 anos