Disputa eleitoral de 2026 aponta para polarização baseada na rejeição
A corrida presidencial de 2026 tende a se consolidar como um embate direto entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), repetindo o cenário polarizado das eleições anteriores. A novidade, contudo, é que a decisão do pleito parece estar cada vez mais atrelada aos índices de rejeição dos candidatos do que à aprovação de seus planos de governo. Ambos os pré-candidatos registram taxas de desaprovação que beiram ou ultrapassam a marca de metade do eleitorado, conforme apontam pesquisas recentes da Datafolha e Quaest. Nesse contexto, a vitória pode depender de quem conseguir minimizar a rejeição entre os eleitores.
Enquanto Lula já convive há anos com uma expressiva rejeição, que se manifestou intensamente no pleito de 2022 contra seu então adversário, Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro apresenta um quadro mais recente e alarmante. Sua rejeição iniciou em patamares elevados no final de 2025, quando anunciou sua pré-candidatura, e, diferentemente de Lula, que se mantém estável, o senador tem visto seu índice de desaprovação crescer nos últimos meses.
As pesquisas de opinião refletem essa tendência. Dados da Quaest indicam que Flávio Bolsonaro possui 56% de rejeição no quesito “conhece e não votaria”, ligeiramente acima dos 53% de Lula. Apesar de uma pequena queda em abril, a rejeição ao senador voltou a subir em maio, atingindo o pico de 56%. O Datafolha, por sua vez, mostra uma trajetória semelhante: a rejeição a Flávio Bolsonaro saltou de 45% em março para 48% em junho, enquanto Lula manteve um patamar oscilante, mas sem aumento significativo. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados por pesquisas Quaest e Datafolha de junho e março de 2026.
O desafio de conquistar o eleitor independente
Em um cenário eleitoral polarizado, a base de apoiadores de cada candidato é considerada cativa. O grande desafio para Flávio Bolsonaro e Lula reside em atrair o voto dos eleitores independentes, aqueles que não se identificam com nenhuma das frentes políticas. Reduzir a rejeição e furar a bolha de seus respectivos eleitorados torna-se, portanto, a estratégia central para ambos.
Cientistas políticos apontam que a eleição brasileira, desde 2018, tem sido fortemente influenciada pela rejeição, e a tendência é que a disputa de 2026 se mantenha nesse padrão. A capacidade de convencer o eleitorado indeciso, que pode oscilar em função das campanhas, será crucial. “Quem, no momento da campanha, acabar convencendo esse setor independente, acaba levando a eleição”, afirma o cientista político Mário Sérgio Lepre, destacando que qualquer movimento político daqui para frente poderá inclinar esses eleitores para um dos lados.
Flávio Bolsonaro: Herança de rejeição e desafios internos
Flávio Bolsonaro herdou de seu pai, Jair Bolsonaro, não apenas a base de apoiadores, mas também os críticos. Essa transferência natural de rejeição impõe um desafio adicional ao senador, que precisa não apenas conter o avanço da desaprovação entre eleitores de centro e independentes, mas também consolidar sua própria base de apoio.
Conflitos internos na base de direita podem impactar significativamente o desempenho eleitoral de Flávio. Um exemplo citado por especialistas é a divergência pública entre o pré-candidato e sua madrasta, Michelle Bolsonaro, sobre a condução de apoios estaduais. Esse tipo de atrito, segundo o cientista político Leandro Consentino, pode gerar rejeição dentro de um espectro que seria naturalmente seu aliado, criando uma colisão com potenciais apoiadores.
A eleição de 2026, portanto, se desenha como uma batalha pela redução da rejeição e pela conquista do eleitorado ainda indeciso, onde cada movimento estratégico poderá ser determinante para o resultado final, em uma disputa que promete ser decidida por margens apertadas, ecoando o pleito de 2022.
