Governo adia retirada de subsídio da gasolina devido à alta do petróleo
O acirramento das tensões entre Irã e Estados Unidos no Oriente Médio provocou um impacto direto nos planos econômicos do governo brasileiro. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta quinta-feira (9) que a retirada das subvenções sobre o preço da gasolina será adiada. A decisão vem em resposta à volatilidade do mercado de petróleo, que já sente os efeitos da escalada de conflitos na região.
Em entrevista à Rádio Gaúcha, Durigan explicou que a medida, que estava prevista para ser anunciada nesta semana, será reavaliada na próxima. “Nessa semana, eu ia anunciar a retirada da gasolina. Vou analisar a retirada na próxima semana porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente do que eu estava prevendo”, afirmou o ministro. Ele ressaltou que o objetivo continua sendo retirar o subsídio, seja de forma parcial ou total, mas as circunstâncias atuais exigem cautela.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Rádio Gaúcha e notícias sobre o mercado de petróleo.
EUA intensificam ataques ao Irã e impactam mercado global
A recente onda de ataques promovidos pelos Estados Unidos contra o Irã, justificados pelo governo americano como uma medida para garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, tem sido o principal gatilho para a instabilidade no preço do petróleo. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) declarou que a ofensiva visa reduzir a capacidade iraniana de ameaçar rotas marítimas vitais, responsabilizando o Irã por agressões recentes a navios mercantes.
Essa escalada de tensões resultou em uma valorização significativa dos barris de petróleo. O petróleo Brent chegou a registrar uma alta de 4,4%, o maior ganho diário desde maio, alcançando US$ 79 por barril. Embora os preços tenham recuado posteriormente com a estabilização momentânea do mercado, mantêm-se em patamares que justificam a preocupação do governo brasileiro com os custos de importação e distribuição de combustíveis.
Política de subsídios sob pressão fiscal
A decisão de adiar a retirada do subsídio da gasolina ocorre em um cenário econômico desafiador para o Brasil. O governo, por um lado, busca mitigar os efeitos da inflação e garantir o abastecimento, enquanto, por outro, precisa lidar com um déficit primário que já atinge R$ 53,3 bilhões e uma dívida pública que representa 81,1% do PIB. A manutenção dos subsídios, embora necessária em face do contexto internacional, impõe uma pressão adicional sobre as contas públicas.
Em maio, o presidente Lula assinou um decreto que permitiu a portaria do Ministério da Fazenda, estabelecendo um auxílio de R$ 0,44 por litro para produtores e importadores de gasolina. O cronograma inicial previa a conclusão da apuração até 24 de julho. Paralelamente, o governo já havia anunciado a retirada do subsídio de R$ 0,35 por litro do diesel, mantendo outro de R$ 1,12, em uma tentativa de equilibrar as finanças públicas diante de uma melhora percebida no cenário internacional, que agora se mostra fragilizada.
