Brasil se defende de acusações de trabalho escravo e ameaça retaliação contra tarifas impostas pelos Estados Unidos
O governo brasileiro repudiou veementemente a decisão do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar tarifas ao país, sob a alegação de uso de trabalho escravo. Em nota oficial, o Brasil classificou a medida como protecionismo injustificado e sinalizou que poderá retaliar com base na lei de reciprocidade.
A medida americana surge em um contexto de investigações comerciais, onde os EUA acusam o Brasil de práticas que prejudicam seu comércio. A alegação específica, desta vez, foca na pecuária bovina, um dos principais setores de exportação do país sul-americano.
A resposta do Brasil foi rápida e contundente, defendendo sua posição como referência internacional no combate ao trabalho análogo à escravidão. A expectativa é que as sanções não se concretizem, mas o país já se prepara para uma resposta diplomática e comercial. Conforme informação divulgada pelo governo brasileiro, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece o Brasil há décadas como referência no combate ao trabalho forçado.
EUA propõem tarifas e acusam Brasil de trabalho forçado na pecuária
O USTR propôs a aplicação de tarifas de 12,5% ao Brasil em uma nova investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o relatório americano, é um fato notório que o trabalho forçado é utilizado na produção de gado no país. Essa acusação atinge diretamente um dos maiores exportadores mundiais de carne bovina congelada.
Brasil defende histórico e acusa EUA de protecionismo
Em sua nota, o governo brasileiro expressou seu lamento pelo uso de um tema tão relevante quanto a proteção dos trabalhadores como justificativa para medidas protecionistas unilaterais. O país ressalta seu histórico e compromisso com a dignidade dos trabalhadores, buscando reverter a decisão americana.
Ameaça de retaliação e lei de reciprocidade
O Brasil ameaça retaliar com base na lei de reciprocidade, aprovada recentemente pelo Congresso Nacional. Essa legislação permite ao país adotar medidas equivalentes contra nações que imponham barreiras comerciais injustificadas. A expectativa é que as recomendações preliminares do USTR não se convertam em tarifas efetivas, evitando um conflito comercial.
Brasil em lista de países sob escrutínio dos EUA
O Brasil figura ao lado de outros países como Austrália, China, Chile, Colômbia, Índia, Israel, Japão, Coreia do Sul, Venezuela e Vietnã. Todos são acusados pelos Estados Unidos de não adotarem ou aplicarem de forma eficaz mecanismos para impedir a importação de bens produzidos com trabalho forçado. Vale lembrar que, em outra frente, o USTR já havia proposto uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros por outras razões comerciais.